Quem está aí?

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Quem somos?

Por Roney Ricardo Cozzer

Uma das coisas que mais me intriga nas relações humanas é a incrível habilidade de se “refugiar” atrás daquele bom e velho comportamento social, o “ser político”. E esse jeito de ser oculta bastante o que as pessoas realmente pensam e até quem realmente elas são.

Os anos e o bom senso já me mostraram que ser franco a todo custo também não é de todo prudente e edificante. Até a verdade precisa ser dita com amor e moderação, e as vezes parceladamente. Mas é fato também que hoje, por vezes, temos dificuldade de perceber as pessoas, isto é, quem elas realmente são e no que realmente acreditam.

Vemos, por vezes, mais a função que a pessoa por trás dela, o cargo mais do que os sentimentos, o “personagem social” mais do que o sujeito de fato. É até saudável que não sejamos submetidos a uma exposição excessiva e desnecessária. Ter confidências, até certo ponto, é perfeitamente saudável. E convenhamos: não dá para expor tudo que passa em nossa mente. Noutra mão, contudo, ser “atores” demais nos adoece. É que o personagem não perdura, o “eu” sim. É que a vida cobra a conta do verdadeiro eu e não do personagem.

Essa tendência social acontece, em grande medida, porque as pessoas querem ser aceitas, desejam ser inseridas em determinados grupos sociais, buscam ser bem quistas. E para isto, procuram agradar a qualquer preço. A ideia de ser antissocial não agrada, evidentemente.

Outra razão para isso é também o fato de que não aceitamos as pessoas como elas realmente são. Se eu não sou aceito como sou, então procuro ser o que as pessoas querem que eu seja. Mas até que ponto conseguiremos manter isso? Até quando conseguiremos ser quem não somos? De que adianta ostentar um “eu” que não sou eu?

Certamente por isso mesmo estamos doentes, doentes conosco mesmo e em nossas relações.

Como alguém já disse, “a pós-modernidade é a era do espetáculo”. E neste espetáculo, o show tem que continuar. Mas a cortina se fecha!

Se fecha quando você não é mais útil, se fecha quando a doença chega, se fecha quando você repousa sua cabeça no travesseiro, se fecha quando você busca um amigo de verdade para lhe ouvir e aceitar-te como você é realmente, se fecha quando você precisa ser ouvido por alguém sem ser estigmatizado, se fecha quando você percebe que mesmo tendo todas na cama, não tem nenhuma na vida, ou que, mesmo tendo todos na cama, não nenhum na vida.

Que fique claro: este texto não endossa aquela ideia de que “nasci assim, vou morrer assim!”

Na vida, precisamos crescer, precisamos ser melhores hoje do que fomos ontem, e perspectivar amadurecer ainda mais amanhã com o que aprendemos hoje. Mas isto representa uma caminhada, e nesta caminhada, eu e você erramos, eu e você precisamos ser quem somos e por isso mesmo, suportarmo-nos mutuamente.

Eu, particularmente, embora procure e me esforce para conviver bem com todos, optei por não participar desse teatro. Talvez por isso mesmo algumas pessoas são hoje mais amigas minhas do que eram ontem, e outros não me suportam. Optei pela franqueza que dói, do que pela hipocrisia que mata. Pelo menos as pessoas que me amam, me amam sabendo quem eu sou.

Diante desta reflexão, gostaria de terminar perguntando: “Quem está aí?”

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