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Professores esperançosos, alunos cheios de sonhos

Professores esperançosos, alunos cheios de sonhos
UNICEF Mozambique / Giacomo Pirozzi (clique na foto para ampliar)

Por Daniel Buanaher

A coisa mais importante que um professor precisa ter na sua labuta diária é a esperança. Mas tem que ser esperança do verbo esperançar e não do verbo esperar. Aliás, o educador Paulo Freire nos instiga a pensar que esperança do verbo esperar não é esperança, é espera… Piegas? Não; sincero. É assim que vejo a arte da docência. Que professor é aquele que, acima de tudo, acredita e investe esforços na construção de um novo amanhã para a sociedade. Aquele que sabe que vale a pena se juntar com outros para garantir o futuro educacional de uma nação. Ou seja, professor esperançado é aquele que não desiste nunca, em nenhuma hipótese, entende?

Sinceramente, tenho profunda admiração por professores da Educação Primária. Eles lidam com o que há de mais difícil na área. Na Educação Primária moçambicana é comum encontrarmos salas de aula com 60, 70 alunos e cada uma delas é “uma dinamite ambulante”. Porque o professor presta atenção num menino que faz bagunça aqui e enquanto isso outro arranca a folha do colega ali, e começa a choradeira acolá. Agora, imagine essas professoras – a maioria é mulher – voltando para casa no final do dia, quanto desgaste. Desgastadas sim, mas não desencantadas.

Mas há também o outro lado. Meninos e meninas que amam estar naquele espaço porque ali se divertem, fazem amizades que duram a vida toda. Algumas crianças já ganharam a consciência de que para serem um dia “pilotos” (como um dia sonhei em ser) terão que se dedicar e frequentar a escola. E por isso fazem seus T.P.C.’s (deveres de casa), e todos os dias caminham quilômetros e quilômetros de distância, a pé, para estar lá. Esses meninos também têm a minha admiração.

Sei que sou apenas mais um nesta imensidão de vozes digitais em que o mundo se afogou, um pirilampozinho no meio de uma vasta escuridão, mas quero fazer ecoar a minha voz. Como lembraria o grande poeta Ozéias de Paula, “Se não puderes ser uma estrela, Sê um simples pirilampo numa noite singular”. Quero encorajar aquelas e estes.

Encorajar às professoras a continuarem a fazer o que fazem, pois o amanhã do nosso jovem país depende muito do que elas fazem. Vejam vocês: um dia desses me flagrei orgulhoso quando eventualmente esbarrei-me com um amigo que estudou comigo, de baixo de uma acácia. Ele estava todo engravatado, engomado, estilo solene, e caminhava nos corredores de um estabelecimento. E me perguntei: se eu fiquei feliz por ele, imagina a professora que nos deu aulas e dizia “um dia vocês vão ser alguém”. Acredito que não exista alegria maior de um mestre do que essa.

Encorajar às professoras a continuarem a fazer o que fazem, pois o amanhã do nosso jovem país depende muito do que elas fazem.

Queridos professores, peço que tenham mais garra, mais paixão, empatia, entusiasmo, e, sobretudo, esperança. Porque é a esperança que faz o caminho andar. Caso contrário, a rotina da professoragem fica chata, pesada e sem sentido.

Aos alunos, se forem ler isto, apenas uma palavra: “A vida é um grande sertão, mas tem veredas” e as veredas passam pela escola, passam pelo esforço e dedicação. Lembrar sempre: sua vida é uma carta sendo escrita, e te peço que escreva a mais bela das cartas para as gerações que vêm. Se fores um pirilampo no meio de tantas estrelas, então brilhe a sua pequena luz com estilo.

É por estas e outras razões que acredito que vale, e muito, continuar encorajando (seja por palavras ou por salário digno) os personagens envolvidos na educação: ânimo, alunos e professores, ânimo! Mantenham a chama da esperança viva.

Avante! Muito a aprender e muito a ensinar…

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Sobre Daniel Buanaher

Daniel Buanaher
DANIEL ANTÓNIO BUANAHERI é formado em teologia pela Universidade Metodista de São Paulo e graduando em pedagogia pela Universidade Anhanguera. É africano de nacionalidade moçambicana, natural da cidade de Pemba, Província de cabo Delgado. Atualmente reside no Brasil. Daniel Buanaher (como gosta de ser chamado) é o filho mais velho do casal António Buanaheri e Maria Buanaheri.

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2 comentários

  1. Paulo Pontes

    Sua visão a respeito da docência é brilhante, meu caro Daniel. Professores e professoras precisam de pessoas que os incentivem a ter mais garra, mais paixão, empatia, entusiasmo, e, sobretudo, esperança. A educação que deve começar no lar também deve ser incentivada pelos pais, apoiando professores(as) na construção de uma sociedade que se preocupa com o caráter, a ética e os bons costumes. E os governos precisam reduzir os privilégios dos políticos e investir de fato na educação. Avante professores!

    • Daniel Buanaher

      Louvo a Deus que estejamos compartilhando da mesma utopia, meu caro pastor e amigo. E não me envergonho de chamar isso de utopia, afinal de contas são as utopias que nos nos fazem acordar pela manhã e labutar pelo que acreditamos que seria um mundo melhor. Então, parte de nossa utopia é esta: um dia acordar pela manhã e ler no jornal “professores são remunerados com um salário digno” ou “o governo investe ‘milhões’ de reais para a melhoria das escolas públicas”. Algo como isso. Quem sabe, um dia!

      Enfim, agradeço muito as suas palavras, pastor. Elas me animam e mobilizam a continuar acreditando no futuro.
      Forte abraço!

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