Pr. Jair Chaves: a igreja investe em missões e evangeliza além das fronteiras

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Pr. Jair Chaves e sua esposa, líderes da Assembleia de Deus em Cobilândia, falam sobre o trabalho missionário da igreja

Por Paulo Pontes | Seara News

Pr. Jair Chaves: a igreja investe em missões e evangeliza além das fronteiras
Pr. Jair Chaves Pereira, líder da Assembleia de Deus em Cobilândia, Vila Velha-ES

A cultura envolve toda a criação humana, e se constitui do estilo de vida de uma sociedade ou de um grupo específico dentro dela. Ao falar de missões transculturais, destacamos o esforço de uma igreja local para ultrapassar seus limites, cruzando fronteiras, não apenas políticas e geográficas, mas também da linguagem e da fala, dos costumes e das tradições, das etnias da raça humana, e das religiões, além dos aspectos sociais, éticos e morais.

A Assembleia de Deus no bairro Cobilândia, em Vila Velha-ES, é uma das igrejas históricas da denominação no Estado do Espírito Santo, que há 10 anos é liderada pelo pastor Jair Chaves Pereira. A igreja AD-Cobilândia sempre foi envolvida com a evangelização, mas agora está sendo destacada pelo seu trabalho além das fronteiras. Na terça-feira (27/07) conversamos com o pastor Jair Chaves e sua esposa, Ivone Feliciana, que nos contaram um pouco sobre esse trabalho desenvolvido pela igreja.

Como nasceu o Projeto África?

Quando assumi a igreja, uns dois meses depois, aproximadamente, numa oração tive o sentimento de enviar missionário para a África, só não sabia para qual país. Após mais um mês, mais ou menos, fui procurado pelos irmãos Williham e Valdirene dizendo que tinham chamada para Moçambique, e eu então propus ao ministério e todos abraçaram esta causa. Providenciamos os recursos financeiros, mas não tinha como administrar. Daí eu comecei a procurar ajuda para a administração. Pastor Kemuel Sotero me ajudou, ligando para o Pr. Luis Antônio, que infelizmente faleceu naquele acidente da TAM, no aeroporto de Congonhas-SP, antes, porém, telefonou-me várias vezes porque conhecia muito a irmã Valdirene. Depois, fiquei umas três horas conversando com ele no hotel, e ele me orientou muito. Aí aconteceu que ele queria levá-los pra Portugal, mas Williham e Valdirene disseram: “Não, nosso chamado é para Moçambique, não iremos para Portugal não”. A proposta do pastor Luis Antônio era que o casal passasse um ano em Portugal, depois eles iriam para Moçambique. Eu sei que no final, resumindo a história, nós encontramos o departamento de Missões da Assembleia de Deus do Vale do Rio Doce, que é DEMADVARDO – Departamento de Missões das Assembleias de Deus do Vale do Rio Doce e Outros. E então nos ajudou, e inclusive o pastor Manoel e o pastor Custódio, de Mantena foram a Moçambique e levaram Williham, depois da documentação toda pronta, pois também haviam ido a Brasília-DF, no consulado de Moçambique. Assim, o começo foi esse, levaram eles e assentaram lá em Moçambique. Isso foi em janeiro de 2008.

Pr. Jair Chaves: a igreja investe em missões e evangeliza além das fronteiras
Missionário Wiliham Scardua com irmãos e obreiros nativos em Moçambique, África

Após cinco anos, como estão Williham e Valdirene em Moçambique?

As notícias são boas. Ainda não estive lá. Estou pretendendo ir lá este ano. Williham está tomando conta de escolas teológicas, e de preparação de obreiros, inclusive, tem o pastor Dellano que está lá em Moçambique. Williham está com duas escolas teológicas, sendo uma da EETAD e outra que recebeu de um seminário lá, de formação de obreiros, e trabalha junto com o pastor Antônio Buanaher, cujo filho Daniel Buanaher está aqui conosco, e está estudando no IBAD em Pindamonhangaba, SP. O nosso pensamento é que retorne para lá com uma melhor instrução teológica para ensinar e preparar obreiros nativos.

A igreja local mantém e sustenta os missionários e o projeto?

A igreja AD-Cobilândia mantém o Williham e a Valdirene com o sustento missionário, e também estamos mantendo este jovem – Daniel Buanaher – com os estudos lá em Pindamonhangaba-SP, no Ibad, Instituto Bíblico das Assembleias de Deus. Ele ficará quatro anos estudando aqui no Brasil. Voltando em seguida, a Moçambique, para formar obreiros nativos. Este é o nosso objetivo.

Em que região se concentra o trabalho missionário da Assembleia de Deus de Cobilândia, em Moçambique?

A região, penso que é a mais pobre de lá, no extremo norte, na província Cabo Delgado, que tem como capital, Pemba.

Como foi essa aproximação com o pastor Buanaher, e como surgiu a ideia de trazer o Daniel para o Brasil a fim de prepará-lo para o ministério?

Foi através do Williham, que precisava de um auxiliar, e esse rapaz já ajudava nas ministrações das aulas no instituto. Ele chama-se Daniel, é filho do pastor Buanaher, apesar de ser jovem, de apenas 20 anos, mas já trabalhava lá ajudando dar aulas, e aí surgiu esse projeto de trazê-lo para ele ser mais bem instruído. E eles optaram até pelo Brasil, porque entendem que a Assembleia de Deus brasileira tem uma melhor condição de prepará-lo para que ele retorne com um maior e melhor conhecimento bíblico teológico para realizar esse trabalho lá.

Como se deu a chegada e adaptação do Daniel aqui?

Foi impactante. Logo que chegou o Daniel adoeceu, e isso foi muito forte, porque ele contraiu a dengue hemorrágica, num nível mais alto que já se tratou aqui em Vila Velha, e talvez até no Estado. Teve momento que achamos que ele ia morrer aqui. Ligamos para o pai dele, ficamos em comunicação constante com Moçambique, com os pais dele. Mas Deus ajudou que no final ele reagiu bem.

Isso seria uma provação para o desafio da fé no aspecto da visão missionária da igreja de Cobilândia?

É, foi! Sim, para todos nós! Tanto pra família dele lá, como para nós aqui. Mas acredito que o peso maior foi o nosso, o da responsabilidade. Eu cheguei por dois momentos a orar e pedir: meu Deus nos á sabedoria, como é que vamos fazer pra devolver o corpo? Já havia uma “sentença de morte”. Não havia nenhuma reação, o médico aplicava a medicação e era a mesma coisa que nada. A situação agravou e foi parar na mão do infectologista do hospital, que ficou perplexo. Por dois momentos com um olhar de fraqueza dizia “já não aguento mais, estou indo”. E nós olhávamos para ele e falar com Deus: Senhor tem misericórdia, o que vamos fazer? Como vamos devolver o corpo aos familiares em Moçambique? Terão eles consciência de que Deus está no negócio? Ou seremos nós culpados? E aí nessa hora só Deus pra ter misericórdia. Cerca de três dias após, o médico olhou para ele e disse: “Graças a Deus, você está bem melhor!” E foi melhorando e está aqui totalmente recuperado.

Essa experiência é uma prova de que fazer missões envolve desafios que vão além de questões financeiras.

Acho que a parte financeira é a menor, porém, não menos importante, mas a responsabilidade é muito séria.

Como pastor, o que o senhor vê no Daniel?

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Daniel Buanaher se prepara no IBAD em São Paulo, para formar obreiros nativos em Moçambique

Ele tem um chamado autêntico. Trancou faculdade lá em Moçambique, para vir estudar teologia, e chegar aqui e se deparar com uma situação dessas é muito difícil. Vou dizer algo muito profundo aqui, que talvez não fosse bom divulgar. Eu cheguei à igreja nesses em que o Daniel estava muito mal, saí do hospital e fui para a igreja à tarde. Ajoelhei-me… Não consigo falar isso sem chorar… Mas eu disse a Jesus: “Se o Daniel morrer vou entregar minha credencial e não quero mais ser pastor”. O Senhor disse pra mim: “Daniel é meu e você também é meu, mas Daniel não vai fazer você perder o seu ministério. O que te pode fazer perder o seu ministério é a sua desobediência à minha ordem, à minha palavra. Fica tranquilo, Daniel não vai morrer, não”. Daniel está aqui! Ele foi chamado e não temos dúvida de que estamos na direção de Deus.

Como ficou a igreja de Cobilândia depois dessa experiência que desafiou a fé dos irmãos?

Um testemunho autêntico é que Deus abençoou muito depois que começamos a trabalhar com missões. Nossas congregações necessitando de construir, e não havia recursos, Deus nos abençoou, estamos construindo muita coisa que ficamos até surpresos com o que está acontecendo. Deus está abençoando muito o ministério da Assembleia de Deus de Cobilândia. As congregações estão sendo bem construídas e ampliadas. Bem como a aquisição de outros imóveis. É um trabalho espinhoso, mas tenho que ressaltar que toda a igreja em sua jurisdição abraçou, nunca ouvi sequer uma pequena crítica por esse trabalho, só palavras de ânimo e encorajamento de todos os obreiros, dirigentes de congregações. No ano passado nosso investimento com missões foi de pouco mais de cinquenta mil reais, e para este ano a estimativa é de mais de setenta mil reais. Esse orçamento deve alterar um pouco, pois temos outros projetos. Mas esses valores não saem do caixa da igreja, apenas das ofertas de missões mesmo.

Novos projetos missionários…

Creche em Jardim dos Palmares, onde compramos um terreno, um grande sonho. Essa creche seria para atender às crianças da região. Vamos atender às crianças evangélicas, mas o alvo maior é alcançar às não evangélicas, para ensinar e moldar dentro dos padrões cristãos, e fazendo assim para que as famílias também cheguem, através de cursos.

Esse projeto é para o próximo ano?

Seria tão bom se nós pudéssemos responder “é pra agora, é pra já”. Mas estamos buscando, organizando ainda, porque para um projeto grande, tem que ter planejamento, apesar de ser uma obra de fé, mas não descarta o planejamento, a Bíblia nos ensina isso…

Dizem que só igreja grande é que pode fazer missões além das fronteiras. Como líderes da igreja vocês consideram a Assembleia de Deus de Cobilândia uma igreja grande?

Não! Temos procurado mostrar isso para os irmãos em nossas reuniões, falando que obra de Deus é obra de fé. A grande maioria de membros e congregados da igreja AD-Cobilândia é composta pessoas simples das comunidades da região. Onde é que estão os empresários?

Qual a composição da Assembleia de Deus de Cobilândia?

Os dados são de 2012, aproximadamente 1600 membros, a sede, mais treze congregações e duas sub-congregações, trabalhando com um total de 120 obreiros, sendo 20 ministros.

Pr. Jair Chaves: a igreja investe em missões e evangeliza além das fronteiras
Templo Sede da Assembleia de Deus em Cobilândia – localizado à Rua Cafesópolis, 181, Cobilândia, Vila Velha-ES

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