Peregrinos da JMJ pedem refúgio às autoridades brasileiras

0
9

Peregrinos da JMJ
Peregrinos da JMJ, que estão solicitando refúgio no Brasil, assistem aula de português. (Foto: ACNUR/Luiz Fernando Godinho)

As razões alegadas por eles são perseguições religiosas e conflitos armados

Peregrinos de diferentes nacionalidades que vieram ao Brasil para participar da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) estão solicitando refúgio às autoridades brasileiras. Muitos deles estão tentando fugir de perseguições religiosas ou conflitos armados em seus locais de origem. O evento católico foi realizado em julho deste ano (2013) com a presença do papa Francisco no Rio de Janeiro (RJ).

Um jovem de 24 anos, com formação em contabilidade, que veio de Serra Leoa, no oeste da África, é um deles e conta: “Meu pai foi morto por ser cristão, e sempre disse a minha mãe que isso poderia acontecer com nossa família. Sendo também cristão, a JMJ foi a única oportunidade que tive para conseguir um visto e sair do meu país. Onde há paz, é possível viver tranquilamente. Não tenho como voltar. Quero reconstruir minha vida aqui no Brasil”. O corpo do rapaz tem ferimentos causados por grupos religiosos hostis aos cristãos da comunidade onde vivia. Ele deixou para trás sua mãe e oito irmãos.

Outro caso é o do peregrino paquistanês cristão, que vivia ao sul de Islamabad com seus pais e quatro irmãos. Ele teve problemas com as autoridades do país, foi discriminado na busca por um emprego e testemunhou perseguições e violência contra outros católicos de sua comunidade. “Quando cheguei à JMJ, vi muitos católicos expressando sua fé sem problemas e convivendo com pessoas de outras religiões em paz. Todos nós somos criaturas de Deus e não podemos ser discriminados por causa do que acreditamos”. Esse rapaz sonha em estudar filosofia e teologia no Brasil para se tornar padre.

Os dois cristãos citados acima estão com entrevistas agendadas na Polícia Federal (PF) do Rio de Janeiro (RJ). Todos os solicitantes de refúgio passam pelo mesmo processo de análise de sua solicitação de permanência no território nacional pelo Comitê Nacional para Refugiados (CONARE), que funciona no âmbito do Ministério da Justiça. Os peregrinos devem se apresentar à PF e serão entrevistados por oficiais de elegibilidade do CONARE.

Além dos casos de problemas religiosos, existem também peregrinos que fogem de conflitos armados como os provenientes da República Democrática do Congo, na África.

A Constituição do Brasil garante a livre expressão e determina a separação entre o Estado e as religiões. O Brasil possui cerca de 4,2 mil refugiados reconhecidos pelo governo federal, originários de mais de 70 nacionalidades diferentes.

The Christian Post

ESCREVA UM COMENTÁRIO

Escreva seu comentário!
Por favor, digite seu nome

3 × cinco =