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“Os Dez Mandamentos” influenciou milhões de brasileiros

“Os Dez Mandamentos” influenciou milhões de brasileiros. A novela bíblica da Record quebrou a hegemonia da audiência global no horário nobre.

A novela bíblica da Record quebrou a hegemonia da audiência global no horário nobre

Por Silvio Costa

Tornou-se desafiador para alguns especialistas em teledramaturgia, a explicação do por que uma telenovela que não explorou quase nada dos batidos clichês de “quem matou fulano”, “beltrano vai ficar com quem”, “sicrano morre no final”; obtenha tanta audiência como a de Os Dez Mandamentos da Rede Record. As pragas e a abertura do mar vermelho a maioria dos telespectadores que acompanharam a produção, de forma geral já conheciam a história apresentada quer por leitura das Escrituras ou até por filmes de Hollywood que retrataram o fato bíblico da saída dos hebreus do Egito. Não restou muita coisa para os experts da TV a não ser opinarem a respeito e concordarem no fato de que a aceitação popular da temática da novela prova que existe uma significativa parcela de público em busca de programação alternativa na TV aberta. Trata-se de um universo que dá sinais de rejeitar tramas mais ousadas ou a discussão de temas calcados na desordem moral de nossos dias.

Mas, de fato a teledramaturgia “Os Dez Mandamentos” da Rede Record conseguiu influenciar milhões de brasileiros e a prova demonstrativa foram os vídeos domésticos que circularam na internet com crianças chorando e pedindo: Ramsés liberta o povo de Deus! E mais, adultos curiosos falando e compartilhando em redes sociais suas expectativas pelas cenas dos próximos capítulos, contando sobre suas emoções e experiências através do que haviam assistido da telenovela. Ocorreu também de igrejas fazerem gincanas sobre o assunto, mas referenciando-se pela trama da TV e de até professores passarem trabalhos escolares baseados na obra da telenovela bíblica.

Para a Record, os excelentes resultados da audiência obtidos pela preferência dos telespectadores que acompanharam Os Dez Mandamentos, se equipararam com os grandes sucessos de outras novelas exibidas outrora por sua principal concorrente do horário nobre – a Rede Globo de Televisão. O curioso é que a maioria dos evangélicos não assistia as séries bíblicas que a Record havia produzido – a maioria preferia as produções globais, ainda que retratassem questões puramente seculares e contrariassem em grande parte e abertamente os princípios que os próprios evangélicos diziam acreditar (Record, SBT e Bandeirantes também o fazem em alguns programas de suas respectivas grades).

“A teledramaturgia Os Dez Mandamentos da Rede Record conseguiu influenciar milhões de brasileiros”

Voltando ao assunto “Os Dez Mandamentos”, vale lembrar que a Record só havia produzido séries bíblicas como a história de Ester (2010), Sansão e Dalila (2011), Rei Davi (2012), José do Egito (2013) e Milagres de Jesus (2014). Mas dessa vez com os milhões de reais gastos no ousado projeto da primeira telenovela bíblica do Brasil, o texto bem desenvolvido da Vivian de Oliveira (autora da novela), a competente direção de Alexandre Avancini, mais atores conhecidos dando show de interpretação, cenografia convincente e tecnologia de ponta – a Record com Os Dez Mandamentos conquistou elevados índices de audiência a ponto de fazer história na TV brasileira.

Ao que parece a emissora acabou por encontrar um veio de ouro no solo batido da velha teledramaturgia tupiniquim, um nicho significativo de telespectadores insatisfeitos com as produções “promíscuas” do outro canal (pelos números elevados de audiência que a novela obteve em diferentes regiões do país, esses “telespectadores insatisfeitos”, não são compostos só de protestantes). Vamos refletir um pouco mais sobre isso.

Afinal, o que “Os Dez Mandamentos” da Record tiveram de tão especial para tanto sucesso? Com certeza não foi unicamente por ter sido a trama baseada na Bíblia, pois se esse fosse o fator determinante, produções anteriores da Record (como as séries bíblicas já citadas) teriam atraído maior audiência há mais tempo. Também não é resultado de qualquer “boicote evangélico” à Globo que exibia sua novela Babilônia no horário nobre. Acredito que o sucesso da novela bíblica da Record tem muito mais a ver com a atual realidade do povo brasileiro (que é de sofrimento em tantos aspectos) e a trama conseguiu atingir a alma aflita e insegura da população. A encenação de tantos dramas, pragas e milagres de cada episódio se corresponderam com os dilemas vivenciados por milhões de pessoas neste país. Dez Mandamentos tocaram sentimentos, desentulharam valores, incutiram fé através da reconstituição de uma antiga história que se renovava a cada capítulo e que depois de tanta coisa – comunicou mensagens de esperança em meio a nossa generalizada crise nacional. Dez Mandamentos fizeram com que o brasileiro se identificasse naquele cenário de exploração egípcia, se reanimasse no alento de alguma libertação, do fim das pragas (um basta nas tantas agruras) e da partida rumo à terra prometida (pois por maiores que sejam os reveses, a vida continua e se firma em esperanças e novas direções).

A crescente audiência da novela “Os Dez Mandamentos” também ocorreu pela afirmação mais consistente de que os brasileiros ainda são bem conservadores. Notamos esse “conservadorismo” através do viés político na última eleição de 05/10/14, onde foram eleitos mais religiosos, militares e ruralistas, formando o congresso nacional mais conservador dos últimos cinquenta anos. Por certo tal resultado político foi uma reação dos eleitores as pautas liberais contrárias a valores éticos, morais e à família tradicional que predominaram nas propostas e nos debates de muitos mandatos de 2010 a 2014. De alguma forma os resultados alcançados pela telenovela Dez Mandamentos também podem ser a manifestação consciente das preferências de entretenimento desses mesmos “eleitores conservadores”. E se for isso mesmo, acende uma luz vermelha para as emissoras de TV a terem muito mais cuidado quanto ao que veiculam em suas programações e como fazem suas apologias sociais.

Em termos comerciais a Record com sua novela bíblica conseguiu valorizar seu espaço publicitário porque entendeu melhor a cosmovisão da maioria do público brasileiro; que mais uma vez se mostrou recatado quando teve a opção de escolher entre um entretenimento fundamentado nas Escrituras e outro com despudoradas cenas com “velhas lésbicas”. No paralelo de fundamentos antigos versus liberalidade pós-moderna, ganhou a audiência à emissora que em sua produção artística demonstrou mais respeito e consideração com os valores e padrões aceitos pela maioria – neste particular, a Record ganhou muito mais.

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Sobre Silvio Costa

Silvio Costa
Silvio mora na belíssima cidade de Guarapari no ES; é administrador de empresas por profissão; estudou teologia no Seminário SEET e na Faculdade FAIFA, membro do conselho editorial da revista Seara News, e colunista do portal Seara News. Também contribui como colunista em outros portais evangélicos e é palestrante em escolas bíblicas e simpósios. Mantém seu blog Cristão Capixaba e é o editor responsável pelo portal Litoral Gospel.

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