O que é ovelhar?

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O que é ovelhar?

Pr. Ezequiel Silva

Na década de 70 existia um slogan do Governo Federal que dizia: “a união faz a força”.

Desde os tempos bíblicos do Novo Testamento, nos primórdios da Igreja, já se ouvia falar em expressões como: unânimes, comum, unidos e reunidos. Em Atos dos Apóstolos 4.32, está afirmado que era “UM o coração e alma da multidão que cria” (grifo nosso). Os crentes da Igreja primitiva, “e, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração…” (Atos 2.46). Havia um intenso desejo do povo em compartilhar as bênçãos materiais e espirituais, assim como as vitórias; mas compartilhavam também as perdas, as aflições, a solidão, sem deixar de incentivar uns aos outros a “batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos” (Judas v.23). O amor fraternal era tão contagiante que os crente repartiam caridosamente com aqueles que estavam em necessidade (Atos 2.45). De sorte, que nada era obrigatório. Tudo era feito em parceria, em comunidade, em comunhão e amor fraternais. Quando uma igreja ou pessoas não estavam enquadradas no padrão comunitário, imediatamente, os apóstolos se dirigiam, por meio de carta, para exortar à igreja, líder ou pessoas, senão vejamos: “Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos uma mesma coisa, e que não haja entre vós dissenções; antes sejais unidos em um mesmo sentido e em um mesmo parecer” (1 Coríntios 1.10). “Rogo a Evódia e rogo a Síntique pensem concordemente, no Senhor” (Filipenses 4.2 ARA). De maneira que, a Igreja seguia o Caminho, em comum acordo. A igreja em Corinto não estava falando a mesma linguagem e;  em Filipos haviam duas mulheres da liderança que não compartilhavam da concórdia para o bem da igreja.

O que acontece com os crentes da atualidade? Claro, que não se espera voltar aos padrões da primitiva igreja. Porém, aos princípios, sim! Entretanto, quando se fala em amor nos cultos, em comunhão, cai uma gélida friagem sobre os crentes. Você não ouve um “AMÉM” ou “ALELUIA”, ou ainda, “TRANSFORMA-ME SENHOR”. “TE ADORO SENHOR, POR ESTA PALAVRA” Por que? Respondo: somos deficitários do amor e da comunhão. Legados primordiais da união. Continuaremos nanicos espirituais, porque torcemos contra, ou, puxamos ao contrário. É preciso mudança em nós. Olhar de Reino e não de “trono”. Estamos pensando, primeiramente em nós e depois, se der, no OUTRO.

Não se ouve mais testemunhos de irmãos que foram tocados pelo amor de Deus para realizar tal e tal tarefa. E quando alguém é tocado, o outro carnal diz: – “está querendo se aparecer”. Não se compartilham uns com os outros. Não há comunhão. Não há união. A Bíblia diz enfaticamente: “comunicai com os santos as vossas necessidades”. (Romanos 12.13). Comunicar, falar entre si, comungar. Este é o sentido. No caso, as necessidades, não são somente as famélicas, mas também, as espirituais, as pessoais, as sentimentais. Todavia, o problema está “no santo” a quem se comunga ou comunica. O “santo” ao invés de ir orar, passa para outro “santo”, que tem um terceiro “santo” amigo e, ai vira uma colcha de retalhos.

Pensando nisso, criei o verbo “ovelhar”. O que é isso? É a comunicação, a conversa de ovelha – o balido de crente. Você não encontrará este verbo em gramáticas ou dicionários, mas uso aqui para dizer que as ovelhas do Senhor Jesus Cristo precisam aprender a ovelhar mais. Em retiros, passeios, um dia só pra andar e conversar uns com os outros. Aproveita, chega um pouco mais cedo ao templo, antes do horário do início do culto divino, e compartilhe aquele sorriso, aquela experiência (fofoca não, vamos combinar), as animações e expectativas, as bênçãos e vitórias. Inclusive, os problemas e aflições que nos sobrevêm. Evidente que, na hora do culto a que se reverenciar o divino. Na hora da evangelização, dos cultos ao ar-livre a que se promover o Evangelho.

No entanto, ovelhar faz parte da sociologia de grupo, em que as pessoas integrantes daquele convívio social compartilhem entre si, comunguem-se os assuntos mais diversificados, desde que não firam a ética cristã. O pensamento está no coletivo, pensamento grupal. No dizer da educadora Hanna Arendt: visa atender O OUTRO e as suas necessidades.  (Faz me lembrar das aulas de Sociologia, com a professora Inês, no curso de Direito, rsrsrsrs).

Nesse caso, é o ponto culminante, a comunicação entre grupos sociais na igreja. O OUTRO é o mais importante do que eu. Este deve ser o apogeu do pensamento social. E é na igreja que deveria ser o lugar de refúgio, de afago, de demonstração de afeto. Alguns pela sua carência ou pela síndrome da rejeição têm necessidade de ser visto, se ser notado. Não é “massagem de ego”. Em algum caso é complexo de inferioridade mesmo.

Se compreendermos essa realidade, aquilataremos o que o Senhor Jesus disse: “Portanto, tudo o que vos quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas” (Mateus 7.12).  Assim, URGE voltarmos, pois, aos princípios do amor, da comunhão e da união fraternais, até então esquecidos.

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