Igreja Perseguida cresce no Norte da África

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Igreja Perseguida cresce no Norte da África
Igreja na Tunísia já pode se reunir em templos, apesar da perseguição / Foto: Portas Abertas

Igrejas em países fechados ao evangelho no Norte da África rompem barreiras para treinar líderes de comunidades ainda engatinhando, com cristão recém-convertidos do islamismo

Argélia, Líbia e Tunísia são exemplos de países no norte da África em que seguir a Cristo pode custar a vida. Os países, predominantemente muçulmanos, experimentaram o renascimento da igreja cristã a partir da segunda metade do século 20. Renascimento, pois até a invasão árabe, no ano 7 d.C., o cristianismo crescia vertiginosamente na região, em detrimento da forte perseguição.

Hoje, a Argélia é um dos países na região que mantém a igreja mais forte e ativa. Cerca de 37 mil cristãos estão espalhados em 40 igrejas. É, sem dúvidas, a maior e mais organizada comunidade cristã do Norte da África.

Já na Líbia, a invisível igreja cristã é basicamente formada por estrangeiros, que entram no país para trabalhar. Cerca de 150 cristãos líbios nativos raramente se encontram e estão, constantemente, em forte ameaça e perseguição.

A igreja cristã na Tunísia teve melhor situação a partir do século 21, com a conversão de muitos muçulmanos ao cristianismo, devido ao trabalho em rádios e TVs via satélite, transmitidos a partir de países vizinhos. A igreja começou em reuniões nos lares e hoje já se reúne em prédios com um número maior de participantes em cultos. Existem cerca de 1.500 cristãos nativos no país.

Agora, o desafio da liderança dessa jovem igreja é estabelecer um firme fundamento, para que assim possa deixar uma heran­ça consistente para a próxima geração. Essa é a preocupação de Mustafa, um dos líderes da igreja na Tunísia. Ele diz: “Pre­cisamos deixar algo sólido para reavivar o cristianismo aqui e levar as pessoas ao Senhor, por isso precisamos de muita oração e sabedoria”.

Formado em engenharia civil, Mustafa tem 29 anos, é casado e pai de dois filhos. Hoje, ele se dedica ao Reino em tempo inte­gral e atua na área de logística. É responsável por organizar todos os ministérios da igreja e também prega e ensina. Ele participou de um treinamento de líderes realiza­do pela Portas Abertas no ano pas­sado. Mustafa conta que sua igreja começou do zero, como uma igreja doméstica. Mas em 2006 obteve permissão para usar o prédio de uma igreja de estrangeiros. “Para nós era algo novo. Éramos de seis a oito pessoas no começo, mas o Senhor trabalhou muito em nossa igreja. Agora temos 90 membros, com várias famílias com filhos de todas as idades; temos todas as gerações na igreja”, alegra-se.

Por ser formada por cris­tãos ex-muçulmanos, o próprio conceito de igreja é novo para eles. Acostumados a ir à mesqui­ta para orar e ouvir os sermões, eles veem a igreja apenas como um lugar onde cumprem suas obrigações religiosas. “Alguns vão a três ou quatro igrejas, pois não entendem que a igreja são as pessoas, os membros, e que tem a ver com dar, não apenas receber”, compartilha Mustafa. O passado islâmico também influencia o modo como veem a Bíblia, que para eles é um livro religioso ao qual devem ouvir, mas não um livro com o qual devam se relacionar, conhecer e assim descobrir como Deus quer que vivam no dia a dia. Por ter uma cultura basicamente oral, em geral os árabes não estão acostumados a ler. Baseado em sua própria experiência, Musta­fa explica que um novo con­vertido tem de aprender a ler a Bíblia. “Foi um desafio para mim aprender e ter prazer em ler a Bíblia”, confessa.

Além dos desafios internos, a jovem igreja enfrenta o desafio de ser relevante dentro do seu con­texto, marcado por perseguição e rejeição da sociedade. Para isso, não querem seguir modelos pron­tos. Mustafa diz que é importante para a igreja da Tunísia construir sua própria identidade. “Estamos lançando os fundamentos, crian­do nosso sistema, a administra­ção, teologia, treinamento, cursos, discipulado, pregação. Temos que definir tudo isso”, diz.

Com muito trabalho pela frente, o que a igreja tunisiana tem a seu favor é o desejo de crescer.

Mesmo com a suposta liberdade de culto, o cristão tunisiano enfrenta a perseguição severa em seu país. A Tunísia está ocupa a 30ª colocação na Lista Mundial da Perseguição, que classifica os 50 países que mais perseguem cristãos no mundo

Treinamento de Pastores e líderes

Para isso, houve grande necessidade de treinamento e desenvolvimento de pastores e líderes e de discipulado na região.

Treinamento de Pastores e líderes
Líder de igreja no Norte da África durante treinamento para líderes da Portas Abertas / Foto: Portas Abertas

Uma equipe da Portas Abertas é deslocada uma vez por ano para a Tunísia para ensinar os pastores. Eles contam como os cristãos tunisianos desejam ver o Reino de Deus se expandir em meio à opressão. “Eles amam seu país e oram para que Deus salve a muitos. Há um senso de urgência. O único modo pelo qual a igreja pode crescer é quando está disposta a sofrer. Os participantes do treinamento com­param isso com uma mulher em trabalho de parto, e dizem ‘uma igreja que não sofre não gera nova vida’”, compartilha um dos colaboradores.

Centenas de novos convertidos já participaram do curso de discipulado no Norte da África nos últimos nove anos. Em 2017, 400 cristãos foram treinados. Um participante testemunha: “O curso me ajudou muito nos meus primeiros anos de fé, as lições me ajudaram a formar minha identi­dade cristã”.

Ajude a formar um líder

A jovem igreja do Norte da África, composta em sua maioria por jovens cristãos ex-muçulmanos, precisa continuar investindo na capacitação de novos líderes. Esses líderes ajudarão a discipular os novos convertidos. Com sua doação, mais um líder pode ser formado, fortalecendo assim a igreja. Para doar, acesse: www.portasabertas.org.br/doe/lideres

Informações de Assessora de Imprensa Portas Abertas

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