Entrevista do Pr. Wellington Junior à Revista Seara News

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Entrevista do Pr. Wellington Junior à Revista Seara News
Pastor Wellington Junior concedeu entrevista à Revista Seara News

Vida pessoal, família, ministério, CPAD e CGADB foram assuntos abordados na entrevista

Por Paulo Pontes

Entrevista do Pr. Wellington Junior à Revista Seara News
Revista Seara News – clique e amplie

Tendo em vista um ato do o pastor Álvaro Oliveira Lima, presidente da Convenção de Ministros das Assembleias de Deus no Estado do Espírito Santo (CEMADES), por ocasião da 72ª AGO, em 2014, onde lançou em plenário o nome do pastor Wellington Junior para concorrer como candidato à presidência da CGADB (confira aqui), e em seguida a União dos Ministros das Assembleias de Deus nos Estados do Nordeste (UMADENE), então liderada pelo saudoso pastor José Antônio dos Santos, que com a mesma iniciativa contou com a aprovação dos presidentes de convenções da região, e apoiada por centenas de convencionais reunidos em Teresina-PI, a Revista Seara News entrevistou o pastor Wellington Junior, em São Paulo, falou sobre vida pessoal, chamada para o ministério, família, ascensão à presidência do Conselho Administrativo da CPAD, os projetos da Casa, a denominação e por último sobre a indicação do seu nome como candidato à presidência da CGADB.

A entrevista foi publicada na Revista Seara News, edição de março de 2015. Confira a íntegra!

Seara News – Como foi sua vida até chegar ao ministério pastoral?

Pr. Wellington Junior – Na verdade, sou da geração onde os filhos de obreiros eram muito cobrados, por isso, nunca tive um desejo pela vida ministerial, principalmente porque na minha adolescência, quando eu tinha entre 15 e 16 anos de idade, passamos por uma situação muito difícil no ministério, e nós, filhos, entendemos que naquele momento meu pai foi muito injustiçado na época. Aquilo nos trouxe alguns traumas com relação a isso, e eu nunca me interessei pela vida ministerial, mas Deus me guardou. Nunca me desviei da igreja, nunca saí da igreja, sempre servi ao Senhor, e me envolvi muito no meu trabalho. Deus me abençoou muito, comecei a vida trabalhando com o meu pai, na feira; fui feirante alguns anos, na minha adolescência enfrentando a madrugada, por isso não tenho medo de acordar de madrugada, qualquer hora que tiver de acordar eu me levanto. Nosso horário de acordar era 4, quatro e meia da manhã, e ia para a feira com chuva ou sem chuva. Foi o começo da minha vida profissional. Mas, depois, Deus abriu uma porta e consegui fazer um curso e entrei na área da computação, na época não se falava informática.

Deus me deu uma oportunidade, trabalhei em empresas e enfim, terminei trabalhando na minha profissão – Analista de Sistemas, e numa empresa multinacional. Estava bem estabilizado, mas não deixava de ir à igreja, é claro, servindo na igreja sempre com o desejo de servir. E quando penso que não, já estava sendo separado para o ministério eclesiástico.

Deus me fez superar aqueles traumas, e na verdade quando fui separado, primeiro para presbítero da igreja e depois para ministro, ainda eu não tinha uma visão de ministério, em viver do ministério. Na ocasião eu trabalhava fora, e dirigia uma congregação. Trabalhava como analista de sistemas, na época, era a Kodak, uma empresa multinacional, e então eu não tinha aquela visão de viver do ministério. Era pastor, mas com a minha profissão, como outras pessoas viviam eu vivia, até teve um tempo que entendi que foi como um aperto de Deus e eu tinha que decidir: ou ministério ou vida profissional. E então Deus me fez entender que era uma chamada ministerial.

Eu deixei a minha profissão, até por convite do vice-presidente, da época, aqui do Belém, que os irmãos do Espírito Santo conhecem muito bem, que é o pastor Davino dos Reis. Ele era o vice-presidente da época, e conversou com o meu pai, e meu pai não quis me chamar: “Se o senhor acha que é, então, o senhor mesmo que o chame”. Então, foi o pastor Davino quem me chamou e me convidou para até desenvolver o sistema da igreja devido à experiência que eu tinha, foi quando começamos a área de informática na igreja. Foi quando eu realmente decidi pela vida ministerial. Mas, na congregação onde eu congregava, ali, sempre tinha uma oportunidade para dar uma palavra e tudo mais, e ali fui me desenvolvendo. Não foi na sede que me desenvolvi, foi na congregação e ali trabalhando foi que comecei a desenvolver o meu ministério.

Entrevista do Pr. Wellington Junior à Revista Seara News
Pr. Wellington Junior, na 72ª AGO da Cemades (Foto: Seara News)

 

Chamada ministerial é algo da percepção da vontade de Deus. O senhor disse que nunca teve interesse pelo ministério e de repente isso brotou. Como o senhor foi despertado para o ministério?

Na verdade, eu cooperava com o meu sogro que era dirigente da congregação. Ele é muito criterioso, formado em letras, e é o diretor da nossa faculdade. É bem criterioso em relação a pregações, é estudioso, tem livros, lançou um sobre o obreiro e seu ministério. Ele tem a parte formal, então, quando eu dava meus testemunhos lá, meu sogro me corrigia em algumas coisas. E chegou o momento em que eu me sentia bem em falar, tinha prazer em falar. Preparava um assunto e ficava na expectativa, se me chamassem, teria alguma coisa para falar. Era mensagem de 10 ou 15 minutos que eu falava na igreja, mas eu percebia que Deus me usava.

Mesmo trabalhando fora, eu tinha desejo de estar na igreja. Trabalhava no interior de São Paulo, percorria todos os dias 100 quilômetros, ia e voltava, e à noite estava na congregação para dirigir o culto. Então, eu comecei a sentir desejo de cooperar, de participar; não desejo do ministério em si, mas de participar. Então, comecei a perceber que realmente eu não tinha saída, porque entendo que quando Deus quer, Ele não abre mão, e eu tenho que pagar um preço se não obedecer a Deus. Tive dificuldades, a minha esposa não aceitava o ministério.

Como o senhor entendeu a sua chamada para o ministério?

Foi como um decreto. A minha esposa não aceitava muito porque sabia como é a vida de pastor, e dizia para mim: “Olha, eu não casei com um pastor, eu casei com um analista de sistemas”. No começo foi difícil ela aceitar, tive que fazer uma manobra. Saí da empresa! Pedi demissão, meu gerente não queria me dispensar, tanto é que pedi demissão em março e ele só me dispensou em agosto. Fiquei todos esses meses tentando convencê-lo de me liberar, e para que minha esposa não sentisse um impacto muito grande, abri uma microempresa na área e ainda por volta de um ano e pouco prestei serviços de assessoria na área de sistemas para a própria Kodak depois que saí, para o departamento de engenharia, e para outras empresas. Continuei no trabalho para dar uma satisfação à minha família que não saí de vez, mas teve uma hora que ela pôde entender.

Fale um pouco do senhor e a da sua família.

Sou pastor, casado com Lídia Dantas Costa que hoje aceita perfeitamente o ministério, e amadureceu muito nessa área. A preocupação dela era a seguinte: sabe como é pastor, tudo o que adquire os maldosos, dizem: “comprou com dinheiro da igreja”. A preocupação dela era se a gente comprasse um carro poderiam dizer que foi com o dinheiro da igreja. Mas ela pediu uma coisa para Deus, e Deus a atendeu – (Ela disse que Deus atende mais a ela do que a mim) – se caso a gente viesse para o ministério, que fosse com a vida estabilizada. Então, quando viemos, já tínhamos a vida mais estabilizada, ela tinha o carro dela, eu tinha o meu; já tínhamos a casa e até uma pequena chácara que temos até hoje. Assim, o que havia de bens para adquirir nós já tínhamos adquirido. Então, ela acabou aceitando. Eu digo a ela que ela é uma verdadeira esposa de pastor mesmo! Ela me ajuda muito na igreja. É envolvida com o trabalho do círculo de oração, e atua na área do aconselhamento familiar e terapia de casal. Hoje, até brinco com ela dizendo que ela é “rato de igreja”. Duas vezes por semana ela passa o dia todo na igreja, em Guarulhos. Ela acabou aceitando. Deus fez um trabalho e não tenho dúvida nenhuma. A minha esposa tem uma formação universitária que era o desejo que ela tinha na área de artes plásticas. Ela é formada em teologia e tem pós-graduação em duas faculdades na Batista e na Universidade Federal na área de aconselhamento familiar e terapia de casal. Temos três filhos. O primeiro chama-se José Wellington Bezerra da Costa Neto, em homenagem ao avô; é casado, juiz de direito, e a esposa dele é psicóloga. Minha filha é casada, médica especialista na área da pediatria e trabalha na Santa Casa de Misericórdia aqui de São Paulo; meu genro é administrador de empresas, e é um dos diretores da empresa que o pai dele possui. Meu filho menor tem 20 anos, está no 4º ano da faculdade de direito e aparentemente está seguindo os passos do irmão, ele gosta da área do direito, da magistratura. Enfim, esta é a minha família! Deus tem nos abençoado. A minha formação é na área de administração de empresas, direito até o 3º ano, e a faculdade de teologia.

Entrevista do Pr. Wellington Junior à Revista Seara News
Pr. Wellington Junior e família (Foto cedida)

 

Como foi a sua ascensão à presidência do Conselho Administrativo da CPAD?

Sempre fui muito distante de convenção, não participava porque trabalhava fora, e mesmo como ministro não ia, em função disto. Quando comecei a me envolver, meu nome foi indicado pela nossa convenção estadual (Confradesp) para concorrer a uma vaga no Conselho da Casa (CPAD), já tinha passado pelo Conselho de Educação e Cultura, pelo Conselho de Doutrina e, então, fui eleito para o conselho da Casa. Como conselheiro, no primeiro mandato, sabe quando você chega num lugar assim e se pergunta “O que eu estou fazendo aqui?” Homens abalizados fazendo parte do conselho como Pr. Isaque Martins, Pr. Antônio Dionízio da Silva que foi presidente do Conselho na época, Pr. José Neco, Pr. Lourival, Pr. Nestor Mesquita, Pr. Virgilio, homens experientes, líderes em seus estados, suas regiões, e no meio daqueles irmãos me sentia um calouro. Comecei como se fosse aquele “o faz tudo” que serve o café, oferece o chocolate. Fui eleito secretário, que não participa muito dos debates, sempre preocupado com os detalhes. Trabalhei servindo e ao mesmo tempo, procurando aprender com aquelas pessoas. Não se aprende tudo, mas com um pouquinho de cada um você vai aprofundando o seu perfil. Aprendi muito com os pastores que passaram por ali. Pastor José Neco, Pr. Ubiratan Job, Pr. Nirton, de Santa Catarina, Pr. Douglas Scheffel, vários pastores bem-conceituados, pessoas que são referências; louvo a Deus pela vida desses pastores. Foi pegando um pouco da experiência de cada um, até que fui eleito vice-presidente do Conselho Administrativo da CPAD, e depois, o pastor Antônio Dionízio voltou para a Mesa Diretora da CGADB, e ele e os irmãos ali acharam que eu deveria concorrer à presidência do Conselho, e fui eleito por unanimidade porque não teve concorrência. Não aspirava a presidência, mas, quando cheguei vi que tinha muito a aprender. Sabe a gente não olhava muito, mas hoje a visão tem que ser um pouco diferente, queira ou não. Na época, eu comecei, cedo, não olhava muito para o futuro: “O que serei no futuro, qual a minha pretensão?” Eu olhava para o presente, dizia: “Hoje estou no Conselho da Casa, o pastor Dionízio é o presidente; meu pai é o presidente da Convenção Geral, vou trabalhar por eles, estou olhando para a vida deles”. Jamais pensava na presidência do Conselho da Casa, as coisas foram acontecendo paulatinamente e louvo a Deus que vai dando a medida necessária para cada momento. É assim que vejo! Deus dando aquilo que eu precisava para o momento. Quando cheguei à presidência do Conselho, já tinha segurança que teria condições de administrar, de cumprir o papel para o qual fui colocado. Não cheguei ali perdido: “O que vai acontecer?” – Não foi uma tentativa. Deus me colocou alí.

A oração que faço é sempre essa: “eu nunca quero ocupar o lugar que seja de outro, mas o lugar que é para mim. Se é para outro ser, que coloque o outro e me tire da situação de um jeito ou de outro”. Não gosto de disputas, discussões e debates. Faço a minha campanha no silêncio e dependo muito de Deus. Se for da vontade de Deus, é ele quem vai colocar; se não for ele aborta antes de decolar, eu já me conformo e vamos assim. Mas, quando a gente assume entendendo que foi Deus quem quis, então assume com segurança.

Quando assumi a presidência do Conselho da Casa Publicadora, assumi com segurança, sabendo que Deus daria os subsídios necessários para poder administrar. É assim que tenho visto. As decisões que tomamos, são preparadas por Deus. Ele prepara o caminho, dá a solução e tem sido assim. Entendo que Deus me colocou no Conselho da Casa. Tivemos uma disputa sadia com o próprio pastor Dionízio. Nunca o ofendi, pelo contrário, aprendi muito com ele, e até brinquei dizendo que se fui eleito, é porque aprendi a fazer minha campanha com ele também. O tempo que o pastor Dionízio foi presidente do Conselho da Casa, foi um tempo de muitas conquistas, de muitas bênçãos em todas as áreas, e na verdade, herdei a presidência do Conselho num momento de paz. Os tocos, ele e eu juntos arrancamos, porque fui secretário e vice-presidente dele por muito tempo. Mas quando assumi a presidência foi um tempo de mais tranquilidade, de mais estabilidade para a Casa. A CPAD está bem mais estável, graças a Deus, porque temos procurado manter o ritmo que se exige. A Casa, o comércio e o momento exigem. Procuramos não dar passos muito longos para não perder o controle, mas também não estamos na omissão. Aquilo que é preciso decidir e fazer, decidimos e fazemos. A Casa está bem. Está crescendo média de 5 a 6 por cento ao ano. A CPAD investe nas igrejas, nas convenções, nas escolas bíblicas, na área da educação, na escola dominical.  Estou lá entendendo que fui colocado por Deus, conforme falei que Deus tem dado os subsídios para o momento.

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Sede da Casa Publicadora das Assembleias de Deus –
CPAD, no Rio de Janeiro

 

A CPAD tem algum projeto que contemple novos escritores?

Sempre tive desejo que a CPAD tivesse mais escritores nacionais. Temos escritores internacionais, principalmente americanos com obras boas, agradáveis de ler, que as pessoas gostam, os obreiros gostam. Só que os escritores nacionais mostram a nossa realidade. Quando se lê um livro de escritor americano, a realidade é americana, pois a formação dele é totalmente diferente. A formação teológica do pastor americano é diferente do pastor brasileiro. A nossa realidade é outra! Se quisermos aplicar na nossa vida experiências de escritores americanos, não vamos conseguir! Eu incentivo muito que tenhamos escritores brasileiros. Foram criados concursos para escritores com premiação aos classificados. Os livros viram obras da própria Casa. O 1º, 2º e 3º colocados ganham prêmios, e os que não forem premiados o material fica lá para que a Casa possa fazer uso quando necessário. Nós ainda estamos investindo, procurando escritores brasileiros para que seja mostrado a nossa realidade.

A CPAD tem outro projeto em andamento que o senhor poderia relatar?

A Casa Publicadora tem uma preocupação, que é também minha, e é na área da educação. Eu sou pentecostal, creio no batismo com o Espírito Santo, gosto de culto pentecostal, de culto barulhento, de crente falando línguas estranhas, só que nosso povo hoje precisa mais de orientação, mais de palavra, até mais do que de fogo, porque sabemos que o que sustenta o crente é a Palavra de Deus. O povo precisa ser ensinado a buscar a Deus, precisa saber por que está glorificando, ter uma estrutura para glorificar a Deus. E a CPAD nessa área da educação tem investido e vai investir ainda mais. Precisamos ter em nossas igrejas escola bíblica dominical, mas escola bíblica mesmo! A Casa se preocupa com o currículo, desenvolvido para classes desde o berçário até a faixa da adolescência; e agora implantou a revista própria para jovens, com escritores e comentaristas com visão para a aspiração do jovem. Tem  assuntos  que  estudamos  entre os adultos que são fáceis falar para casados, mas para jovens fica difícil abordar. As revistas específicas para jovens têm a ver com a parte profissional, descobrindo a aptidão deles. A CPAD está preocupada com isso.

Outra coisa com que nos preocupamos  é  preparar e segurar os adolescentes. Eles estão superando as nossas expectativas. O adolescente é puro e se for conduzido dentro dessa pureza, será o grande mobilizador da igreja. Tudo o que se faz com o adolescente produz. Os jovens são bons, mas são muito ocupados, estudam, trabalham, chegam de madrugada em casa, no final de semana tem que fazer trabalhos, estudar, enfim, não têm muito tempo para a igreja, mas não é culpa deles. Já os adolescentes tem a vida um pouco mais tranquila, estão na fase de estudar, alguns poucos que trabalham. Eles têm toda força e energia para serem investidas na igreja. Nós temos que captar isso, entender e buscar. Se educarmos bem os adolescentes vamos ter bons crentes, bons jovens, bons obreiros, bons pais de família. A área da educação é a principal com que temos que nos preocupar na igreja.

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Revistas, do novo currículo da EBD, produzidas pela CPAD (Foto: CPAD)

 

O centenário da AD nos EUA priorizou crianças e adolescentes com ênfase na capacitação da próxima geração. Esse projeto do qual o senhor falou é uma continuidade com aplicação aqui no Brasil, ou já era um plano da CPAD?

Na verdade é um desejo nosso que estamos começando a igualar, não sei se coincidentemente, ou se é uma influência. As Assembleias de Deus nos Estados Unidos sentiram-se cutucadas pela CPAD quando lá apresentamos o nosso currículo da escola dominical, e as igrejas brasileiras e as igrejas de língua hispana lá começaram a adotar. O currículo da igreja americana estava parado, na mesmice. Quando começamos a apresentar o nosso, elas começaram a se movimentar. O currículo da CPAD hoje contempla toda América Central e Latina. Nós distribuímos nossas revistas para países de língua hispana. O currículo da escola bíblica dominical brasileira é distribuído para toda América Central e Latina. Hoje nós estamos em Miami, mas, nosso ponto forte não são os Estados Unidos, mas a América Latina.

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Irmão Ronaldo Rodrigues, diretor executivo da CPAD, e Pr. Wellington Junior

 

Em comparação com outras denominações, o senhor concorda que a Assembleia de Deus usa e explora pouco os meios de comunicação?

Usa pouco! Isso atribuo ao perfil e tradição da Igreja. A nossa Assembleia de Deus, os nossos pastores foram criados de maneira a levar a igreja para o povo. Hoje, temos congregações, templos suntuosos, bonitos, e templos pequenos, muito simples em todo lugar. Isso é sabido. A nossa igreja não fez investimento na área da comunicação, investiu em templos. Não posso dizer se foi ou não uma falha. Não temos uma rede de televisão, nem um grande programa de tv, mas temos templos onde o povo congrega, e essa tradição continua. Começa com um culto na casa de alguém, depois passa para um salão alugado, em seguida se compra um terreno, se constrói um templo e assim vai. Esse é o perfil da Assembleia de Deus. Temos a história dos nossos pastores antigos andando a cavalo quilômetros e quilômetros para levar o evangelho para uma família de 4 ou 5 pessoas e depois, dali nascia uma igreja. O que nossos pais fizeram, com todo respeito à minha geração, é difícil da gente fazer. A preocupação deles era abrir igrejas, e hoje temos igrejas em vários lugares, e a área da comunicação foi deixada em 2º e 3º planos, mas se você observar, a Assembleia de Deus é uma potência. Se juntar toda AD no Brasil temos condições de comprar uma rede de televisão tranquilamente, só que não há essa mobilização, porque cada pastor está preocupado lá na sua igreja, em abrir novas frentes, enviar missionários, etc. É a visão da AD hoje, e não é voltada para a área da comunicação.

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Pastor Wellington Junior

 

O que o senhor diz sobre as convenções estaduais estarem aclamando o seu nome para presidente da Convenção Geral em 2017? O senhor será candidato à presidência da CGADB?

Assim como não havia tido aspiração para o ministério, nunca tive para convenção, muito menos para a Convenção Geral. Tanto é que se alguém conversasse com o meu pai há três anos, e falasse em mim, como o pessoal falava: “Pastor, e o Dueto?”- (como as pessoas de casa me chamam) – Ele respondia: “Dueto não quer saber de convenção, não!” – Esse era o pensamento do meu pai referente a mim. Realmente eu não queria saber de convenção, principalmente porque a gente vê essas disputas, e tanta coisa acontecendo. A gente trabalha em prol do presidente, no caso, do meu pai, por isso nunca pensei em mim, nada em convenção geral, e eu tinha um plano para minha vida: chegar à época de me aposentar, me jubilar. Eu gosto muito de viajar, de estar com a minha família, então, meu plano era esse, desfrutar um pouquinho da vida. Mas, um dia, – me permitam contar esse testemunho aqui, acho importante – eu estava conversando aí mesmo nesta cadeira que o irmão está sentado. Dois irmãos comigo, numa conversa muito informal, e eu disse: “Quando eu tiver 65 anos, estou pendurando a chuteira, já completei 35 anos de ministério, já tenho direito à aposentadoria e vou desfrutar”. Eu levei meio que na brincadeira, mas o irmão ficou sério e disse: “Pastor, estou decepcionado!” – Perguntei por que, e ele me disse: “Pastor, a gente olha para o seu pai como um paizão, nosso patriarca, nosso pastor como todo o respeito que temos por ele. Mas, eu, como um obreiro jovem, não vejo meu futuro nele; vejo meu futuro no irmão, mas tomando essa decisão, obreiros da minha geração vão sentir um vazio e até decepção”. – Aquilo entrou em mim como uma faca no meu coração. Eu fiquei quieto e fui orar a Deus, e naquela noite Deus me fez mudar de propósito, de pensamento. No outro dia eu falei: “Não! Vou me colocar nas mãos de Deus. Se ele tem planos comigo para o futuro, nunca mais vou dizer que vou parar e me aposentar – me aposentar vou porque tenho direito – mas parar no ministério, não. Não falo mais sobre isso”. Chamei aquele irmão, obreiro novo, muito bom, Marcos, o nome dele, e Genildo, os dois juntos e disse: “Olha, aquela palavra que falei a você, retiro, não vou jubilar, estou aqui à disposição de Deus”. Os irmãos ficaram contentes. Mudei de pensamento com relação à Convenção Geral, e procurei o meu pai e falei para ele: “Eu quero dizer para o senhor que eu mudo de posição. Se eu não tinha pensamento, não que eu vá ter, mas quero deixar na direção de Deus. Se ele tiver alguma coisa para mim na Convenção Geral, estou aqui à disposição dele”. Meu pai deu glória a Deus, e disse: “Amém. Então, está bom, vamos trabalhar e ver o que Deus tem”. Eu realmente não tinha esse pensamento de Convenção Geral, e a minha família (esposa e filhos) também não. O meu pai, em momentos difíceis da Convenção, dizia: “Não quero meus filhos envolvidos com Convenção Geral, quero eles longe”. Bom, em 2013 nós passamos por um processo muito difícil, meu filho primogênito adquiriu câncer, e aquilo trouxe um abalo para toda família. A nossa família se desfez de todo e qualquer pensamento contrário à vontade de Deus, e nós nos jogamos aos pés de Jesus, porque foi a única saída que tínhamos. Meu filho entrou em tratamento de quimioterapia, mas foi um processo que Deus permitiu, de maio até dezembro de 2013, onde aquilo nos edificou muito, mudou totalmente os pensamentos, os propósitos, e minha família. Deus deu uma lapidada na gente. Minha esposa brinca, dizendo: “Eu pensei que era crente, hoje eu sei o que é ser crente”. Nós realmente começamos a nos envolver mais no coração de Deus. Não foi fácil. Não é por ser meu filho, mas é muito inteligente. Deus deu graça especial. Ele é pastor também, pregador, prega bem. No meu aniversário, a palavra dele, quando lembro me emociono, cortou coração de todos. Ele estava careca devido o tratamento, e a palavra que ele deixou foi um bálsamo para o meu coração e da minha esposa e para todos diante do momento que estávamos passando. Quero dizer que esse processo que Deus nos permitiu passar, me fez priorizar mais a igreja e aquilo que é de Deus.

Deixei de me preocupar só com o setor de Guarulhos, porque investia toda minha força lá. E no Ministério do Belém, como vice-presidente, tenho que estar envolvido, queira ou não, mais minha força maior era lá. Há 24 anos que sou pastor do Setor de Guarulhos. No outro setor fiquei 6 anos. Quando assumi, o setor de Guarulhos tinha 26 congregações, e hoje tem 98. Deus me fez mudar o foco e abrir um pouco mais, e comecei, e a minha família começou a aceitar mais. Quando comecei a ser convidado para os trabalhos de convenções estaduais, escolas bíblicas e tudo mais, o pessoal já passou a olhar para mim com uma visão como teve o pastor Álvaro Lima, presidente da Cemades, que foi um dos pioneiros dessa visão de âmbito nacional. E eu, sinceramente, fui pego de surpresa pelo pastor Álvaro, e por outros quando apresentaram o meu nome. A minha família e eu entendemos que esse processo que passamos foi Deus nos lapidando para aceitar isso aqui. Tanto é que hoje, a minha família aceita de maneira mais tranquila. Para terminar o testemunho, meu filho foi curado! No mês de dezembro de 2013 recebemos a notícia que o câncer havia regredido, e no dia 28 de março de 2014, a notícia de que o câncer foi totalmente eliminado. Graças a Deus! Tudo isso foi plano de Deus, um preparativo para poder aceitar alguma coisa a mais.

Quando na AGO da Cemades o pastor Álvaro falou no meu nome, eu pensei: “Ele é muito amigo, talvez a visão dele seja uma utopia”. Mas, depois as coisas começaram a caminhar de tal forma, que eu estive no nordeste participando de uma escola bíblica e me convidaram para uma reunião da Umadene, a união de ministros de todo o nordeste, onde estavam 16 pastores presidentes, e as convenções representadas, um irmão tomou a palavra e falou. Eu ainda não tinha conversado com o presidente, não tinha conversado exatamente sobre isso com a minha família, e fiquei na minha, fiquei quieto. Os pastores lançaram o meu nome ali. Mas eu precisava ter uma posição do presidente. Embora o estatuto não permita que ele seja candidato, mas o pessoal tem um amor, um carinho por ele, e uma segurança nele, que é comum dizerem que se precisar muda-se o estatuto para ele continuar, pela maneira que ele dirige a Convenção, de forma equilibrada.

Eu fui conversar com o presidente, e ele olhou para mim e disse: “Eu nunca quis meus filhos envolvidos com isso, agora o que você diz? Está pensando sobre isso mesmo?” – Não é que estou pensando sobre isso, é que estou entendendo que é Deus e eu não posso sair da direção dele, o senhor sabe disso. Eu quero saber se o senhor tem pensamento de sair candidato. Se o senhor acha que o pessoal é voz unanime no Brasil, e se o senhor quiser ser candidato muda-se o estatuto e o senhor vai ser, pois esse é o pensamento dos presidentes de convenções.

“Não, eu não pretendo sair candidato, acho que o meu tempo está terminando mesmo na Convenção. Na próxima eleição vou estar com 83 anos de idade, não tenho mais pique para disputar eleição. O que tinha que fazer já fiz, o que tinha que ganhar já ganhei. Se você quer, se realmente é de Deus, você tem meu apoio, tem a minha palavra e vamos trabalhar. Se precisar fazer campanha para você, eu vou fazer”, disse o presidente que se posicionou e abriu as portas. Então, depois da palavra dele, eu vou me colocar como candidato.

Lá na AGO da Cemades não falei que seria, pois ainda não tinha essa posição do presidente. Agora, em Teresina, quando os irmãos lançaram o meu nome por unanimidade, estavam lá pastores presidentes que se posicionaram e falaram abertamente: Pr. José Neco, Pr. Roberto José, Pr. Waldomiro, e Pr. Teixeira, entre outros, que pediram apoio do plenário.

Enfim, com apoio unânime, me pronunciei dizendo que: “até aquele momento nunca falei que seria candidato, mas estou falando a partir de agora, porque conversei com o presidente e ele me abençoou e me deu carta branca. Os irmãos estão me indicando e eu vou aceitar e agradecer a indicação dos irmãos”. Falei que tinha passado pelo Espírito Santo onde fui apresentado na AGO da Cemades. Então a partir de hoje, vou dizer que sou candidato à presidência da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil – CGADB, não tem como sair fora. Não fui criado com leite de cabra, que meu pai sempre fala que foi, mas sobrou um pouquinho pra mim. Estou assumindo a posição de candidato, não vou voltar atrás. O que tiver que enfrentar, vou enfrentar. Minha vida está aí, sei que vão vasculhar, e fazer o que quiserem, mas graças a Deus não tenho nada que me prenda, nada que me comprometa. Estou candidato e vou em frente, aquilo que Deus quiser vamos fazer.  Não vou voltar atrás, só se o presidente entender, mas não é o pensamento dele de entender o contrário. Vou para a campanha em nome de Jesus.

Entrevista do Pr. Wellington Junior à Revista Seara News
Pr. Wellington Junior e sua esposa, irmã Lídia Dantas Costa

 

O senhor não pensava em ser pastor, mas era plano de Deus, aconteceu. Chegou ao Conselho da Casa como conselheiro, não pensava em ser presidente, mas quando chegou o momento aceitou. Não pensava em ser candidato à presidência da CGADB, mas pelos acontecimentos o senhor vê que é Deus direcionando para esse caminho?

Eu vejo sim, porque é aquilo que vou dizer sempre. A capacidade vem de Deus e se eu disser que tenho capacidade para dirigir a Convenção Geral, não! Mas daqui para dois anos vou ter, se Deus me permitir. É claro, que vejo isso porque Deus me tirou do meu sossego. Sabe como é estar tranquilo? Nem na presidência do Belém eu pensei, e nem posso! Na última eleição eu era o 2º vice-presidente da Mesa Diretora, e os irmãos chegaram e disseram que eu deveria ir para 1º vice-presidente, mas eu disse que estava bom como 2º. Quando o pastor Padilha que era o 1º vice-presidente se jubilou, o pessoal falou: “Pastor é agora”. Então, são coisas que vão acontecendo e vamos entendendo que é a direção de Deus. É claro que agora começam a surgir dentro de mim projetos, ideias para serem aplicadas. Quando a campanha estiver sedimentada eu tenho que ter algo para apresentar, que seja novidade, e que não fira os princípios da nossa igreja, pois estarei sucedendo o meu pai, se Deus permitir. Então, eu preciso olhar para ele como pastor, como líder que conquistou o respeito do Brasil inteiro, principalmente pela sua maneira de ser. Ele trouxe a unidade para a Assembleia de Deus no Brasil, queira ou não a AD está inteira, com fulano, com cicrano que move ação para lá e para cá, mas a Convenção está inteira; com troncos e barrancos ela está aí, inteira. A gente não dividiu a Convenção, o presidente não rachou a CGADB, que nunca moveu ação contra quem quer que seja apenas se defendeu. O presidente está deixando para os seus herdeiros ministeriais uma convenção inteira. Ele está há mais de 30 anos a frente da CGADB, mas conseguiu administrá-la de tal maneira, apesar de toda a evolução que aconteceu na sociedade, no corpo ministerial da igreja. Hoje temos pastores com pensamentos completamente diferentes de outros pastores da mesma convenção, e ele conseguiu administrar toda essa mutação que vem acontecendo. Está conseguindo administrar e deixar. Entendo que eu tenho uma carga meio pesada, mas eu preciso herdar dele essa pacificação, mas eu tenho também que ter algo a mais para mostrar. Porque queira ou não se exige algo diferente, exige-se algo impactante numa nova administração. Do nosso presidente não, porque ele é esse perfil que está aí. Mas, de uma geração que vai entrar exige-se alguma coisa sem comprometer e sem desprestigiar o que passou, preservando as marcas, mas mostrando novidades.

Entrevista do Pr. Wellington Junior à Revista Seara News
Pr. Wellington Junior, AD-Belém/SP (Foto: Seara News)

 

Deixe uma palavra para a nossa equipe e para os leitores da Seara News.

Primeiramente agradeço pela oportunidade de poder falar um pouco de mim. Em segundo lugar, que a Seara News é uma revista conhecida e de credibilidade. E aos seus colaboradores, que continuem produzindo matérias que realmente despertem o interesse dos leitores. Conte conosco naquilo que pudermos ser úteis. A CPAD, a nossa igreja aqui em São Paulo, posso falar porque o nosso presidente, com certeza, apoia também. Nós dizemos aos leitores que têm um instrumento maravilhoso nas mãos. Além de ser bem-conceituado é uma revista séria e que trata das coisas de Deus com seriedade, e isso é muito importante porque o interesse não é buscar a fama para a revista, mas buscar o que é ideal para o povo evangélico; e, de igual modo para os não evangélicos que, com certeza, também são leitores da revista Seara News e a admiram.

Entrevista publicada na Revista Seara News, Edição de Março/2015, por Paulo Pontes.

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