Dez expectativas para a excelência educacional teológica

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Dez expectativas para a excelência educacional teológica
Sala de aula / Foto ilustrativa

Por Emerson Pereira

Se eu precisasse colocar no papel algumas expectativas pessoais quanto à excelência educacional de uma instituição de ensino teológico, penso que começaria, ainda que sucintamente, por aqui:

Que a ESCRITURA servisse como modelo inegociável tanto da filosofia quanto da prática do ensino e aprendizagem em uma instituição de ensino teológico, de modo que a teologia não desempenhasse um papel integrativo com as demais áreas do conhecimento humano, mas mantivesse o status de padrão centralizador, condicionando conteúdos, métodos e processos aos propósitos supremos da Revelação.

Que a ESPIRITUALIDADE recebesse espaço e valor na mesma medida em que estes são concedidos ao academicismo ao longo do processo de ensino e aprendizagem dos estudantes de teologia, mediante ações individuais e coletivas planejadas para práticas de oração, louvor, gratidão e meditação na Palavra como parte de um programa de formação intencionalmente holística que contemplasse conhecimento (academicismo teológico), caráter (formação espiritual) e capacitação (habilidade ministerial).

Que a ANDRAGOGIA fosse adotada como metodologia uniforme de ensino e aprendizagem em sala de aula, levando em conta o público adulto envolvido na educação teológica, com vistas à valorização da interação entre alunos e professores e entre alunos e alunos, promovendo reflexões que evidenciassem muito maior disposição em vivenciar e aplicar os conhecimentos teológicos do que apenas retê-los cognitivamente.

Que as AVALIAÇÕES não fossem simplificadas à verificação pontual e classificatória, na qual o aluno é identificado como um conceito ou valor numérico ao final de um período acadêmico, mas que fossem muito bem elaboradas, diversificadas e aplicadas ao longo de todo processo de ensino e aprendizagem, a fim de que os dados colhidos servissem tanto para diagnosticar a condição dos alunos quanto a dos próprios professores, métodos de ensino utilizados, conteúdo das disciplinas, matrizes curriculares e filosofia educacional da instituição, visando estratégias de mudanças e aperfeiçoamentos.

Que o PLANEJAMENTO acadêmico desenvolvido fosse integral e constantemente avaliado quanto a planos de cursos, planos curriculares, planos de disciplinas, planos de aulas, planos de atividades, planos de mentoreamentos e planos de desenvolvimentos, através de práticas de coordenação, supervisão e interação entre docentes e administradores.

Que a BIBLIOTECA atendesse funcional e satisfatoriamente aos propósitos dos programas oferecidos na instituição, disponibilizando aos discentes e docentes propício ambiente ao estudo, assim como acessível, atualizado e equilibrado acervo bibliográfico para as áreas de conhecimento teológico e concernentes campos de investigação, formação espiritual e prática ministerial, mediante a viabilidade de diversificados recursos impressos e digitais.

Que a TECNOLOGIA fosse adotada como objeto de constante investimento e aprimoramento, a fim de promover e desenvolver pesquisa relevante, atualizada, funcional e qualitativa entre professores e alunos, inserindo-os num universo de crescente, seguro e significativo conhecimento teológico, tanto para o ambiente de ensino presencial quanto para oportunidades de ensino virtual.

Que a EQUIPE DOCENTE E ADMINISTRATIVA da instituição teológica evidenciasse maturidade cristã suficiente, conforme padrões e critérios bíblicos para a liderança ministerial, a fim de lidar eficientemente com as demandas relacionais concernentes à uma diversificada comunidade de aprendizagem, assim como demonstrar suficiente competência “profissional” e técnica tanto para administrar conteúdos de conhecimento e suas respectivas práticas de ensino e aprendizado, quanto para gerenciar aspectos administrativos, logísticos, patrimoniais e financeiros intrínsecos à uma instituição de ensino.

Que o CONTEXTO presente e futuro dos alunos fosse considerado como elemento imprescindível para a aplicabilidade dos conhecimentos desenvolvidos durante o processo de formação teológica, de maneira que a significância intrínseca aos conteúdos abordados adquirisse significativa praticidade na perspectiva educacional, levando a academia para a realidade da vida, resgatando e imprimindo o senso da missão da Igreja de Cristo no mundo.

Que a IGREJA LOCAL jamais fosse vista como uma força competidora ou ameaçadora para a instituição de ensino teológico, mas que, a partir de uma visão colaborativa, a comunidade cristã fosse acolhida como referencial da realidade do Reino, para que a partir dela a formação teológico-ministerial demonstrasse coerência entre os conteúdos ensinados e as reais demandas e necessidades cristãs na contemporaneidade, bem como nela as escolas teológicas vislumbrassem a potencial parceria para o desenvolvimento das práticas ministeriais exigidas aos alunos, proporcionando-lhes mentoreamento e supervisão in loco.

Mais haveria para ser refletido, escrito e adicionado, mas, como um ponto de partida, iniciaria a caminhada nesta direção, estando aberto à contribuição de educadores.

Emerson Pereira / Associação de Escolas Teológicas da América Latina (AETAL)

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