China: Orando por uma xícara de chá e uma colher de Evangelho

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Uma colaboradora da Portas Abertas teve a oportunidade de conversar com um líder de igrejas domésticas na China e ouvir o que ele espera para o futuro dos cristãos no país. Ela compartilhou a sua experiência no texto a seguir.

China: Orando por uma xícara de chá e uma colher de Evangelho

Ao meu lado, senta-se um homem chinês bastante carismático. É o pastor Wei* (de 40 anos). A mesa redonda está cheia de iguarias chinesas, mas as histórias que esse líder de igrejas domésticas na China compartilha são ainda melhores. O testemunho de Wei deixa claro que a perseguição aos cristãos no seu país tornou-se muito mais suave e a visão da Igreja muito maior.

Wei: “Um terço de nossos membros vem da capital. Os outros migraram para cá de zonas rurais ao redor de Pequim. No momento, nós temos algumas dezenas de chamados pontos de reunião (igrejas domésticas ou grupos de células), cada um com uma dúzia de membros. No próximo mês, vamos inaugurar outros três pontos. No total, mais de mil cristãos pertencem às nossas igrejas domésticas. Juntamente com outro pastor, eu estou supervisionando e incentivando os líderes desses vários grupos”.

Porque o pastor Wei é um líder de igreja, as autoridades estão interessadas em seu trabalho. “Ontem eu fui ‘convidado’ a ir até a delegacia de polícia”, compartilhou ele. “As autoridades sabem sobre nossas atividades e, regularmente, querem tomar um chá e conversar comigo. Naturalmente, eu faço algumas perguntas também. O que eles querem saber? Coisas como: ‘Quem são os líderes em sua igreja?’, ou ‘Há estrangeiros envolvidos em sua igreja?’ Eles me advertiram a não deixar a minha igreja crescer muito. O chefe de polícia e eu realmente nos tornamos amigos, e ontem, eu compartilhei o meu testemunho com ele sobre como comecei a acreditar no Senhor Jesus”.

Ele acrescenta que, a cada visita aos policiais, ele pede que irmãos e irmãs da igreja orem por ele e pelas conversas que ele terá. Ele sempre lhes pede para “orar por uma xícara de chá”. Sem dúvida, isso significa adicionar uma colher de Evangelho durante o diálogo.

Pergunto-lhe sobre o crescimento das igrejas domésticas. “Toda quinta-feira à noite, nosso grupo de jovens distribui folhetos nas ruas e contam seu testemunho para quem quiser ouvir. Nas noites de quarta-feira nós temos os nossos grupos de células e estudo da Bíblia. Às sextas-feiras realizamos nossas reuniões de oração. Oficialmente, é proibido evangelizar, mas os nossos jovens acreditam que essa é a coisa certa a fazer”.

“Este ano”, ele continua, “eles não foram presos, mas há dois anos sim. Meu filho esteve sob custódia por algumas horas e foi interrogado. Nossas igrejas domésticas foram obrigadas a fechar por quatro dias. Depois de algumas negociações com as autoridades, tivemos autorização para nos reunirmos de novo”.

Muitos líderes chineses estão agora envolvidos no ministério fora da China.  Wei é um deles. “Dez anos atrás, eu fundei a Missão Indígena Chinesa. Nós já enviamos mais de 50 missionários para países do Oriente Médio.”

Finalmente, pergunto quais são as expectativas de Wei para o futuro da China. “O país vai se abrir mais e mais para o Evangelho”, diz ele. “Mas eu me preocupo com os cristãos que constroem mega igrejas para dez mil ou mais crentes. Eles atraem demasiada atenção do governo. A Igreja deveria investir em pessoas e trabalho missionário em vez de edifícios.”

*Nome alterado por motivo de segurança.

Fonte: Portas Abertas

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