Home / Entrevistas / ‘As pessoas estão cansadas de religião’, afirma Bruno Branco

‘As pessoas estão cansadas de religião’, afirma Bruno Branco

‘As pessoas estão cansadas de religião’, afirma Bruno Branco

Um momento agradável no aconchegante Café CentoeQuatro (BH) com o cantor Bruno Branco proporcionou uma conversa que tocou em assuntos de religião a política. Mineiro, pós-graduando em Direito e empresário, afirma que o título “cantor” não se encaixa exatamente no seu currículo profissional. A atribuição mais adequada, segundo Bruno, seria o de “poeta”.

Mas cantor ou não, o novo álbum “Prato e Sino”, lançado em junho deste ano, já lhe rendeu um bom contrato com a gravadora Som Livre e o reconhecimento do público. Embora só tenha apresentado o trabalho musical depois dos 30 anos, Bruno começou sua história com a música ainda na adolescência. Acompanhe um pouco do que o poeta tem a falar sobre fé, cultura brasileira, política e assuntos a perder de vista.

Quando começou sua história com a música?

Quando estava com 14 anos tive o primeiro contato com o violão. Aproveitei o fato de saber tocar um instrumento e peguei alguns textos que havia escrito e passei a musicá-los. O violão trouxe-me também o privilégio de me tornar compositor.

Você é formado em Direito, pretende seguir com a carreira de advogado e cantor ao mesmo tempo? Ou pretende abandonar o Direito?

Não enxergava a música como profissão e até hoje não vejo. A música é como um hobby, um amor para mim. Estou fazendo pós-graduação em Direito e continuo com os estudos porque acho muito importante; inclusive, a partir do meu curso consegui falar de Jesus para pessoas que talvez de outra forma não tivesse oportunidade.

Produzi meu primeiro disco “Lado a Lado” nas minhas férias do restaurante (porque antes era proprietário de um restaurante). As músicas eram antigas composições minhas e apenas coloquei na internet. O álbum obteve 50 mil downloads em três meses e estourou na internet. Disponibilizei de graça, sem nenhum intuito comercial. Era na verdade um hobby. Passei a receber convites para tocar em outras cidades e estados e isso tudo me impressionou.

Então você não tinha pretensão de ser cantor?

Não queria seguir a carreira, tanto que até hoje não me enxergo como um cantor, me vejo mais como um poeta e uso a música para transformar o que sinto e o que penso em uma linguagem mais acessível.

“Prato e Sino” é baseado na passagem de 1 Coríntios 13. Fale um pouco sobre a criação das canções desse álbum?

A gente sabe quando surge uma canção especial e a música “Prato e Sino” é uma delas. Próximo ao lançamento do meu novo disco eu ainda não tinha o nome do álbum. Havia um incomodo em meu coração, não queria fazer mais um disco na praça, não queria fazer por fazer. Até por que há pessoas muito melhores do que eu para fazer isso.

Quando orava e pedia uma direção sobre o CD, refleti sobre o versículo escrito em 1 Coríntios 13.1 que diz “… seria como o metal que soa ou como o sino que tine”. Pensei no real sentido da frase e entendi que a Bíblia quer dizer que sem o amor só há barulho. Então, vi que não queria um disco assim que só fizesse barulho.

Você pega 10 discos aleatórios que estão nas lojas e vê que eles não passam nada para ninguém. O que permeia um trabalho deve ser o amor que fará a diferença na vida das pessoas. O amor fará mais diferença que a minha poesia, mais diferença que os arranjos, mais diferença que as nossas ideologias. A partir daí criei o nome “Prato e Sino”.

As músicas do disco carregam também muitos protestos sociais. Na época que gravei estava vivenciando uma onda de manifestações pelas ruas do Brasil. O nome do álbum também faz uma analogia com os “pratos vazios” das pessoas que muitas vezes pensamos que está vazio de arroz, feijão, saúde, mas que no fundo no fundo está vazio é de amor, porque os governantes não amam as pessoas, porque, se amassem, usariam os recursos para o bem da população.

O nome do disco também fala da questão do “prato da fé”, das pessoas que estão sendo comercializadas dentro das igrejas. Elas também estão vazias de amor. Então, fiz essa relação com os sinos das igrejas, porque não adianta, também fazendo uma analogia, estarem cheias de “congressos”, “eventos”, e “shows” e continuarem vazias de amor.

O novo CD é todo autoral?

Eu tenho o produtor Jordan Macedo, que produziu discos do Thalles Roberto e de outros músicos conhecidos. Ele me ajudou a dar um toque final, mas todas as letras são minhas. Ele é todo autoral como o Lado a Lado.

Muitos cantores como Lorena Chaves e outros que utilizam poucas expressões que fazem referências diretas a fé são muito criticados. Qual a sua proposta em criar um álbum mais poético?

Para muitas pessoas cantar música “gospel” ou “cristã” significa usar determinadas palavras. Então, se a música não tem a palavra “Jesus” cinco, seis ou mais vezes é como se ela estivesse em um sub-nível e não fosse classificada para ser cristã. Mas no fundo do fundo, quando falamos do que Jesus fez, do que Ele foi e do que nós somos Nele, por Ele e para Ele, automaticamente, estamos falando Dele.

Muitas vezes as pessoas se preocupam com a linguagem e não com a mensagem. É triste saber que a gente tem pilhas e pilhas de discos que a palavra “Jesus” aparece muitas vezes, mas que as letras não têm nenhum conteúdo do Evangelho. Infelizmente esse preconceito não é com a mensagem, porque se você observar os discos do Palavrantiga, da Lorena, você encontrará muito Cristianismo. Então, as pessoas preferem criticar quando o trabalho não carrega certa bandeira, do que ouvir e compreender o que aquela pessoa está dizendo. Portanto, se não tem o “evangeliquês” que estamos acostumados, o projeto está desclassificado, e por isso, acabamos perdendo muitas pessoas.

A manifestação aos problemas do Brasil é uma marca evidente do CD “Prato e Sino”. Qual a sua opinião em relação à posição dos cristãos em relação à política? São atuantes?

Existe uma questão histórica de separar “o que é igreja” e o “que não é igreja” como se “Igreja” não fosse pessoas. E como nós somos a Igreja, onde estamos? Nos hospitais, nas praças, nas ruas, no mercado de trabalho. Hoje percebo que essa separação histórica acabou gerando barreiras que só são rompidas na época das eleições. Interessante que no período eleitoral, sempre existe político dentro dos templos, pastor pedindo voto. Isso ocorre apenas durante as eleições, porque depois, quando a coisa realmente acontece, a Igreja esquece esse assunto completamente.

É triste ver que a bancada evangélica é tão partidária quanto as outras bancadas. A banca ruralista só em um assunto. Então, a bancada evangélica deveria ter uma visão geral sobre tudo, porque ela não prega sobre um Deus que ama a todos? Ela não prega sobre um Deus que não trata com desigualdade? Às vezes a gente acha que é só na música que existe essa separação, mas ela está presente em tudo, nas artes, na educação, a gente cria uma segregação que, em vez de gerar uma união, promove a divisão das raças.

Palavrantiga, Lorena Chaves, e você são de Minas, e os três trazem um estilo diferente para a música cristã. O que em Belo Horizonte tem inspirado vocês?

Acredito que nós somos frutos de oração da igreja. Ao mesmo tempo a mesma igreja que orou para que isso acontecesse, não apoia e não entende. Não são todas, mas infelizmente uma grande maioria. Quando era adolescente participei de movimentos de avivamento. E não existe avivamento sem conversão de almas. As pessoas estão cansadas de religião. Quando Deus começa a levantar músicos que levam a mensagem dele sem aquela “casca” religiosa nas letras, acaba que a própria igreja tem resistência enquanto as pessoas que não cristãs recebem de coração aberto.

O que lhe inspira a compor?

Na verdade o que me inspira mesmo é a Bíblia. Como é impressionante a qualidade poética, histórica e social da Palavra de Deus. A Bíblia realmente é completa.

Assista:

Fonte: Lagoinha

Quero anunciar!

Sobre Redação Seara News

Redação Seara News
SEARA NEWS é um portal de caráter evangélico interdenominacional, com conteúdo informativo, orientador e formador de consciência cristã, que abarca os matizes do contexto cristão ao redor do mundo, e serve como um aporte eficaz na comunicação.

Além disso, verifique

Entrevista: Pastor Cesino Bernardino em sua última visita ao Espírito Santo

Entrevista: Pastor Cesino Bernardino em sua última visita ao Espírito Santo

  O trabalho evangelístico do pastor Cesino Bernardino mudou a visão de milhares de pessoas ...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

16 + um =

Licena Creative Commons

Seara News foi licenciado com uma Licença Creative Commons