A vida não está na instituição

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A vida não está na instituição

“O nosso grande erro ocorre quando se valoriza a instituição acima das pessoas”.

Por Geremias Couto

Queiramos ou não, por força das circunstâncias, temos as nossas ligações institucionais. Não há como evitar. O sistema nos obriga a isso. Até mesmo aqueles grupos que dizem começar sem essas amarras, têm lá a sua pequena dose de institucionalidade, cuja tendência é aumentar na medida em que crescem e exigem cada vez mais a expansão da estrutura. O nosso grande erro ocorre quando se valoriza a instituição acima das pessoas. Quando se põe todo o peso nela de tal modo que se torna um fim em si mesma. A instituição não pode existir para ser servida, mas para servir.

Infelizmente, essa é a visão que tem prosperado em nossos arraiais evangélicos, onde a fossilização institucional chegou a tal nível que tudo é feito em favor da instituição sem se pensar no objetivo para o qual existe. Ela é a senhora inexpugnável que se assenta na sua opulência para receber as oblações de míseros mortais, que não passam de escravos, oprimidos e subjugados pela sua sede em querer para si a lealdade cega das pessoas. Torna-se uma máquina trituradora já tão automatizada por aqueles que a controlam que nada mudará se outros tomarem o seu lugar. É a instituição robotizada que tenta metabolizar sem dó nem piedade qualquer um que se atreva a humanizá-la.

Mas a vida não está na instituição. A vida está nas pessoas. A instituição só consegue sobreviver, se houver gente que a ponha para funcionar. Essa sobrevivência, por sua vez, só se estenderá por muito tempo, enquanto o foco for as pessoas e não o contrário. Fora isso, está fadada à morte, mesmo que desfrute por algum momento de toda força institucional. Muitas instituições ficaram na poeira da história a partir do momento em que as pessoas entenderam que elas não mais serviam para servir, mas passaram a ser uma força opressora e sugadora.

Qualquer instituição só subsistirá se tiver uma estrutura enxuta, horizontalizada, flexível e voltada para o serviço. Quanto mais ela der às pessoas o que se propõe a dar, mais será serviçal, mais se fortalecerá, mais será agregadora, mais cumprirá a sua finalidade. A instituição não se impulsiona a si própria. É a vida das pessoas que a impulsiona. Por sua vez, essa impulsão é retroalimentada, enquanto a instituição estiver a serviço das pessoas.

geremias_coutoGeremias Couto
Pastor evangélico vinculado ao My Hope Project da Associação Evangelística Billy Graham, filiado a Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB), é teólogo, conferencista, escritor e jornalista.

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