A ética que sufoca a ousadia

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Igreja é agência de Deus para a comunicação do evangelho de forma plena

Igreja é agência de Deus para a comunicação do evangelho de forma plena

Por Jesiel Freitas

“Agora pois, ó Senhor, olha para as suas ameaças, e concede aos teus servos que falem com toda ousadia a tua palavra” (Atos 4.29).

Há um fenômeno extremamente negativo ocorrendo no meio evangélico, e precisa ser abordado com firmeza e seriedade. É o fenômeno da falsa ética na pregação do evangelho do Senhor Jesus Cristo, que tem camuflado a covardia com que muitos pregadores, pastores e igrejas vem exercendo o ministério da pregação.

É triste, lamentável e profundamente reprovável do ponto de vista teológico. Pregadores e pastores não podem esquecer que tem a responsabilidade expressa na transmissão das verdades bíblicas e na comunicação das doutrinas divinas, por mais antipáticas ou antissociais que elas pareçam. Em nome da ética e da “educação”, estão pregando apenas o que lhes convêm, ou o que agrada aos ouvintes, inclusive, sob a falácia de que o amor é mais poderoso que o juízo.

É bom lembrar, que não há amor onde não existe verdade ou onde ela exista apenas pela metade. Amar os pecadores, significa dizer-lhes que CRISTO salva e que, para isso, precisa perdoar-lhes os pecados, redimi-los deles e torná-los seus filhos. O processo para isto, por parte do pecador, é reconhecer seus pecados, arrepender-se deles, confessá-los e pedir o perdão de Deus, passando a viver para ELE. E não há como o pecador arrepender-se de seus pecados se primeiro, não souber o que é pecado, o que o separa de Deus e o que fazer para livrar-se deles. Daí porque, o evangelho precisa ser pregado na íntegra, genuína e ousadamente, sem desvios e sem omissões.

Não é papel da igreja ser simpática com o mundo ou afagar suas práticas pecaminosas em nome do amor. Um pai que ama o filho, aponta-lhe os erros, ensina-lhe o que é certo e o que é errado e, quando este filho erra, abraça-o oferecendo-lhe perdão, mas mostrando-lhe a necessidade de abandonar a prática do erro. Não há como ser diferente.

Outro dia, ouvi que a igreja não pode nem deve ser radical na exposição ou na denúncia do pecado. E ouvi de alguém que, no mínimo, deveria pregar veementemente contra ele. Já disse alguém, que não devemos nos preocupar em ofender a consciência do pecador que não se preocupa em ofender a santidade de Deus. Igreja não é centro de terapia afagadora de infratores da lei divina. Igreja é agência de Deus para a comunicação do evangelho de forma plena, clara, direta e, inclusive, se necessário, de forma agressiva. Silenciar diante do pecado não é um exercício de ética, mas prática de covardia diante da responsabilidade mais sublime da igreja de CRISTO! A igreja não pode esquecer que seu papel é ser LUZ DO MUNDO e SAL DA TERRA. Gosto do texto bíblico que transcrevi no início desse artigo: “Agora pois, ó Senhor, olha para as suas ameaças, e concede aos teus servos que falem com toda ousadia a tua palavra” (Atos 4.29).

Talvez, você tenha o desejo de indagar o que dezenas de pessoas me perguntam por onde passo anunciando o evangelho: “Mas, pastor, o que devemos fazer diante das leis que estão tentando criar para prejudicar igrejas, pastores e pregadores?” – A resposta é simples: se você é um cristão genuíno, um verdadeiro pregador ou pastor, deve fazer o óbvio, desafiá-las, pregar a verdade a todo custo, a tempo e fora de tempo. Se algum dia você for processado, preso e condenado por pregar a verdade, glorifique a Deus! Era assim que faziam os crentes e pregadores da igreja primitiva: Enfrentavam seus opositores com OUSADIA e não se acovardavam em nome da ética. Quando as autoridades judaicas prenderam e questionaram o apóstolo Pedro e os demais apóstolos por anunciarem a verdade do evangelho, essa foi a resposta precisa, corajosa e digna da parte deles: “Porém, respondendo Pedro e os apóstolos, disseram: Mais importa obedecer a Deus do que aos homens”.

Nem preciso dizer que praticamente todos eles morreram martirizados por pregarem o evangelho. Prefiro ser como Estêvão, que sendo apedrejado pregou a verdade até seu último suspiro, que morrer como um covarde que teve vergonha do evangelho de CRISTO. E, o que dizer de Paulo, Pedro, Tiago, Mateus e todos os demais? Não aceitemos a ética que sufoca a ousadia!

 

Jesiel Freitas
Jornalista, atuando como radialista, repórter e apresentador em várias áreas do jornalismo; é pastor, bacharel em teologia pela FACETEN (Faculdade de Ciências, Teologia e Filosofia do Rio Grande do Norte) e pela FAETEL (Faculdade de Educação Teológica Logos), docente do Curso Médio de Teologia do Cetad – Centro Educacional e Teológico da Assembleia de Deus de Americana, e EETAD – Escola de Educação Teológica das Assembleias de Deus, além de conferencista e palestrante.

1 COMENTÁRIO

  1. Me arrependo de não ter lido esse texto antes! Excelente análise! É claro que pregar com “firmeza” e ousadia também difere do “terrorismo” que alguns Defensores do evangelho fazem ou o abuso de palavras como canalhas, calhordas e daí pra cima de outros que buscam a vitória em Cristo. Parabéns pela explanação.

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