A casa caiu, o que fazer?

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A casa caiu, o que fazer?

Qual deve ser a atitude de uma pessoa evangélica famosa, quando “a casa caiu” para ela? 

Por Silvio Costa

O adágio popular “a casa caiu para fulano”, alude a uma situação abrupta, adversa e irreversível na experiência de vida do sujeito envolvido em tal desventura.

A consideração é aplicada geralmente a pessoas que avisadas de antemão, acerca de decisões e providências que deveriam tomar, não o fizeram e depois sofrem as inevitáveis consequências de tanta procrastinação (Jr 25:4; Lc 6:49). A “casa cair” pelo prisma bíblico – constitui-se como uma das formas de Deus tratar conosco direta ou indiretamente.

O Altíssimo o poderá fazer diretamente quando permite suceder em nossa vida eventos que fogem ao nosso controle, mas que estão em conformidade com o Seu plano para o nosso amadurecimento e aperfeiçoamento (1 Co 10:13; Tg 1:12; Jr 29:11). Indiretamente, poderá o Santo de Israel por conta daquilo que inspirou e se fez registrar em sua Palavra (Bíblia sagrada); permitir ao homem escolher o próprio caminho e herdar de suas decisões resultados bons ou maus (Js 24:15; Gl 6:8-9).

Para muita gente, o “cair na real” só acontece na base das “pancadas da vida”, ou numa linguagem evangélica – “colhendo o que plantou” (Gl 6:7). Infelizmente, na maioria das vezes queremos transformar uma cinzenta realidade com pinceladas coloridas de infantil ilusão. Preferimos adiar o que realmente importa para alimentar as extravagâncias de um famigerado ego que só busca fama, dinheiro e sucesso – mesmo que nos custe caro adiante, mas ignoramos. Adoramos acender holofotes para os outros, mas estamos por detrás do refletor, embrenhados numa escuridão de dúvidas, problemas e dilemas – mas, de modo inexplicável e inconsequente curtimos viver perigosamente, ainda mais fazendo pose de crente santão, de profeta ou profetisa de Deus.

“A casa de muita gente famosa do meio evangélico está caindo, quer seja do ponto de vista espiritual, moral ou social – estamos em tempos de desmoronamentos e escombros daquilo que um dia ostentava fachada de modelo de vida cristã”.

Numa reflexão figurada, mas bíblica a “casa cai” para um crente quando este fundamenta sua fé em areia (Mt 7:26). Nos dias de Jesus não dava para construir uma casa ou um prédio sobre terreno arenoso – a fundação tendia a ceder e a estrutura ficaria comprometida por inteira; assim é também na vida cristã e em nosso relacionamento com o Salvador; pois se Cristo não for quem realmente nos sustenta e de onde recebemos apoio para os momentos de enchentes, ventos e tempestades (Rm 9:33; At 4:11-12; Lc 6:48; 1 Pe 2:5), a casa cairá sem dúvida.

A casa de muita gente famosa do meio evangélico está caindo, quer seja do ponto de vista espiritual, moral ou social – estamos em tempos de desmoronamentos e escombros daquilo que um dia ostentava fachada de modelo de vida cristã. Muitos tentaram erigir ministérios, carreiras, livros e Dvd’s que falam de Cristo, mas que jamais estiveram alicerçados nEle – e no sinótico de Mateus, isso é tolice (Mt 7:26).

Mas, depois que tudo ruiu alguns atentaram para a realidade que sempre os acompanhou: conseguiram se ver como realmente são, reconheceram que não são super crentes, que não tem superpoderes, que não detém revelações mágicas para sucesso de coisa alguma; como também não possuem receitas para o casamento feliz dos outros, a prosperidade completa alheia, ou de qualquer unção extraterrena e absoluta sobre a vida de terceiros. Descobriram por duras penas que não podem continuar mantendo a mesma pose ou tocar com o mesmo discurso triunfalista do “seja feliz”, “você é um vencedor”, “não aceite”, “declare”, “profetize” e por aí vai. Quem me dera fosse à vida cristã estabelecida sobre o que eu declaro, sobre minha confissão positiva – seria muito mais fácil, mas vida cristã é realidade, e realidade como sinônima de verdade fere, confronta, machuca e até envergonha; pois desnuda das roupagens da mentira e descostura os uniformes do viver de aparências – a realidade é cruel com os casarios de faz de conta, e derruba mesmo!

“Quem me dera fosse à vida cristã estabelecida sobre o que eu declaro, sobre minha confissão positiva – seria muito mais fácil, mas vida cristã é realidade, e realidade como sinônima de verdade fere, confronta, machuca e até envergonha; pois desnuda das roupagens da mentira e descostura os uniformes do viver de aparências – a realidade é cruel com os casarios de faz de conta, e derruba mesmo!”

E agora que a casa caiu, o que fazer? Se arrepender para em seguida reconstruir sobre o alicerce dos sábios é o ideal (Ap 2:5); recomeçar é a atitude esperada por quem reconheceu onde errou e com quem errou. A carreira, a agenda, a pose e tantos outros afins exteriores; agora são desnecessários. A lavagem da alma e a renovação do espírito para o correto esquadrinhar da vida sobre Cristo Jesus é o mais importante agora. Alguns não conseguem abrir mão daquilo que acham que não deveriam perder – o estrelato gospel – tentam justificar as falhas, embalar uma isenção de culpa, incriminar somente a outra parte e tal. O recomeço nasce no íntimo e brota em casa, a profunda relação com o Senhor se dá no quarto (Mt 6:6); o sentido do prosseguir torna se visto no seio da família, entre irmãos e amigos que oram e torcem por você (Pv 18:24).

Sem julgamentos ou apontamentos, afinal – a casa já caiu. Mas, Deus reconstrói ruínas (At 15:16) e restaura brechas (Is 58:12); daí repito as palavras daquele que no pior momento de sua caminhada, em meio a lágrimas e pressões por todos os lados disse: “Bom é ter esperança, e aguardar em silêncio a salvação do Senhor” (Lm 3:26).

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